Publicidade

Posts com a Tag aniversário iGay

quinta-feira, 6 de março de 2014 Cultura, direitos humanos, homofobia, LGBTs | 21:20

O que cabe em um ano?

Compartilhe: Twitter

Hoje o tempo voa, mesmo sem se sentir que um ano se passou. Um ano desde que escrevi minhas primeiras linhas para o iGay. Lembro-me das cores e dos cheiros daquela tarde de verão quando entrei naquele prédio no centro de São Paulo para discutir com o Tales Faria, vice-presidente editorial e publisher do IG, minha participação numa proposta ousada de abrir espaço em uma das principais companhias de telecomunicações no Brasil para tratar, com seriedade, de temas voltados pra população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

E o que cabem em um ano que escorre pelas mãos? Cabem derrotas, alguns retrocessos, mas também cabem importantes conquistas e avanços.

Em um ano, cabe um governo colombiano rejeitando o casamento igualitário; cabe alguns países criminalizando a homossexualidade; e cabe, aqui no Brasil, um projeto de “cura gay” ser um dos principais temas dentro da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, que durante esse ano foi presidido por um deputado racista e homofóbico, que não faz questão alguma de esconder que seu principal objetivo era o de retroceder em avanços que dizem respeito à dignidade e direitos da comunidade LGBT.

CURTA O IGAY NO FACEBOOK 
Em um ano, cabem articulações com o intuito de vetar o casamento igualitário, inclusive sustando determinações do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), e ainda insistindo em tentar propor plebiscito para questões de Direitos Humanos. Cabe também um relatório da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), que divulgou que houve um aumento de 46,6% dos casos de agressão contra LGBTs, incluindo em suas estatísticas um pastor confundido com ativista e, por isso, agredido em Brasília durante evento de Silas Malafaia.

Mas em um ano também cabem muitos beijos que fizeram história: o beijo das incríveis Fernanda Montenegro e Camila Amado, que trocaram selinhos na campanha contra a permanência de Feliciano na CDHM; e, claro, o primeiro beijo de um casal de homossexuais em uma novela dentro do horário nobre da principal emissora de televisão brasileira. Mateus Solano e Thiago Fragoso, nos papéis de Félix e Niko, fizeram história, e abriram caminho para novas tramas de casais que mostram as diversas cores das famílias brasileiras.

Cabe, depois é apesar dos esforços dos fundamentalistas religiosos que se instalaram na CDHM depois de identificarem nela um trampolim eleitoreiro para seus dogmas teocratas, arquivar aquela proposta absurda de “cura gay”.

Cabe o Brasil inteiro se emocionar, vibrar e se apaixonar com a história de amor de uma das maiores cantoras brasileiras, Daniela Mercury, que se casou com a jornalista Malu Verçosa. E não apenas celebrou seu amor, mas se casou com os mesmos direitos que qualquer casal heterossexual, graças a uma decisão do CNJ, que regulamentou  casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, sendo pela conversão da união estável em casamento ou diretamente. E cabe o primeiro caso no qual a Justiça Federal reconheceu o companheiro de um sargento do exército como seu dependente.

Em um ano cabe celebração de casamento gay em base militar dos Estados Unidos; primeiro político gay na Turquia; leis pró-LGBT em Cuba; o casamento igualitário legalizado na Nova Zelândia, na França, no Uruguai e no Reino Unido; e cabe um pedido de desculpas do Exodus, famoso grupo cristão dedicado à cura da homossexualidade que após 37 anos de charlatanismo pede perdão à comunidade LGBT e encerra atividades.

Hoje celebramos um ano de trabalho. Por aquelas cabriolas ocasionais do destino, essa data de hoje é próxima ao meu aniversário de 40 anos, que celebro agora no dia 10 de março. Nesse inicio de nova década, só quero saber no que pode dar certo. Quero crer no amor numa boa e quero que isso valha pra qualquer pessoa. Quero um novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera, que acredita no amor, independente de cor, raça, credo, etnia, nacionalidade, gênero, sexo ou orientação sexual. Porque no meu mundo só existe uma lei: a do amor. E é nela em que vou colocar todas as minhas fichas.

Autor: Tags: