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sexta-feira, 2 de agosto de 2013 LGBTs | 13:49

Pilar, uma mãe como tantas outras mães

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(Foto: Reprodução / TV Globo)

Esta é a segunda vez em que me refiro ao personagem Félix. Agora, não com uma crítica à sua construção, e sim para falar sobre um momento da trama, exibido ontem, que reflete um momento da vida de todo LGBT: o momento da saída do armário, mesmo que esta não seja exatamente voluntária.

Mais que uma discussão sobre esta saída, quero falar sobre a relação que todo gay tem com sua família. A família é sempre a primeira a saber e a última a acreditar. Diferentemente de um jovem negro, por exemplo, que ao ser insultado na rua é acolhido pela sua família, o jovem LGBT não é acolhido. É quase sempre reprimido pela sua família. Os pais, com suas expectativas em relação ao filho homem (e à filha mulher também), apenas conseguem imaginar um destino imperfeito a ele. E os primeiros momentos desta saída do armário costumam ser bem difíceis.

Em meio à confusão, Félix encontrou compreensão exatamente em sua mãe, que sempre soube, mas não tinha coragem de dizer a si mesma. Uma pessoa esclarecida, mas que até então ainda refletia alguns preconceitos exatamente pelo distanciamento, por não olhar para seu próprio filho, mesmo quando convencida a fazê-lo.

Comigo foi um simples “não falo disso”. E não falamos mais disso, muito embora, sem falar, evoluímos em nossa relação no dia a dia. O preconceito existe enquanto há uma distância entre você e aquilo que você não conhece. À medida em que minha mãe foi me conhecendo nesta nova atitude e que foi conhecendo meus amigos, esta barreira do preconceito foi caindo. Hoje, mesmo pertencendo à igreja, sua atitude é quase a atitude de uma ativista, de me defender e de ter orgulho de seu filho.

Hoje só posso lhe agradecer por ter me acolhido e me defendido da estupidez homofóbica.

Da mesma forma fazem as Mães pela Igualdade, um grupo de mães que luta contra a homofobia, defendendo a igualdade de direitos para suas famílias, enquanto reclamam justiça pelos jovens assassinados por sua orientação sexual. São mães que foram além do imaginário popular, que considera que homossexuais serão necessariamente marginais, e reconheceram que seus filhos podem ser grandes pessoas na vida. Não apenas no sentido profissional, mas no sentido de caráter.

Esta relação entre gays e suas mães perdura por toda a vida. Quase sempre o filho gay é quem fica com a mãe, pois os filhos héteros tem suas esposas, que estabelecem uma relação de concorrência com a sogra, enquanto o namorado ou esposo do filho, não. O casal sempre se aproxima mais das mães.

Uma boa hora para pensarmos em como as relações familiares se constroem, como se constrói o amor e o respeito, e como tantos ressentimentos podem ser evitados quando há compreensão. Como disse à minha mãe naquela ocasião, “só quero que a senhora entenda que eu gosto de outros homens e isso não muda nada em minha vida”. E ela entendeu; para ela, nada disto mais é um problema.

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terça-feira, 16 de julho de 2013 Sem categoria | 18:19

O elogio da mentira (se já não for o da loucura)

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"A pior das loucuras é, sem dúvida, pretender ser sensato num mundo de doidos" (Erasmo de Roterdã, 1469-1536)

Ontem, depois que divulguei, em meu perfil no Twitter, a matéria do Estadão sobre a oração e o choro da presidenta Dilma em companhia do pastor, senador e ministro Crivella, da bispa Sonia e das “personalidades gospel” Damares e Mara Maravilha; no rastro dessa divulgação, notei que alguns dos perfis que eu sigo começaram a divulgar o link de uma matéria sobre um “pastor ex-gay” de Rondônia que, numa “recaída”, teria trocado a esposa pelo cunhado…

Ora, qualquer um que, tendo apenas dois neurônios (Tico e Teco), pusesse-os em sinapse; qualquer pessoa mais atenta; qualquer cidadão minimamente inteligente que se dispusesse a ler, com atenção, os dois primeiros parágrafos da tal matéria veria que se tratava de uma notícia falsa; de uma ficção ruim ou, com muita boa vontade, irônica. Sendo assim, por que perfis de pessoas que considero inteligentes e sensatas passaram adiante essa mentira? Terá sido a prática cada dia mais comum nas redes sociais de se passar adiante matérias e vídeos depois da leitura apenas dos títulos dos mesmos? Ou terá sido “em nome da causa” já que a matéria fictícia debocha da “cura gay”? Se foi “em nome da causa”, essas pessoas não poderiam prestar maior desserviço à mesma…

Desde quando o recurso à mentira e à desinformação legitima a causa justa de LGBTs ou qualquer outra causa nobre? Se recorremos às práticas antiéticas, imorais e criminosas de nossos inimigos, o que no distingue deles? Quero crer que os perfis que divulgaram a falsa notícia o fizeram devido ao hábito nas redes de se passar adiante o que se lê mal e porcamente e por conta da cada vez maior confusão entre mentira e verdade na internet.

Não há um dia sequer sem que um novo conteúdo não coloque em questão a confiabilidade, a precisão e a verdade da informação na internet. Sei que a imprensa tradicional (jornais, revistas e telejornais) já recorreu e ainda recorre à manipulação e distorção de informações em função de seus interesses econômicos e políticos, mas essa imprensa é tão e sempre “tanta gente” que a convivência e a interação real nas redações põem alguns freios à manipulação e exigem um mínimo respeito à ética…

Sem esses “filtros” ou instâncias de controle da qualidade da informação próprios das redações de jornais, telejornais e revistas – repórteres verificadores de fatos, profissionais dedicados à apuração de dados e editores – para monitorar o que está sendo postado em muitos blogs, sites, Youtube ou nas redes sociais (Facebook em especial), como medir ou atestar a confiabilidade ou a credibilidade do conteúdo que lemos ou assistimos na internet?

Não é pequeno o número de usuários das redes sociais que não fazem distinção entre verdade e ficção, conteúdo genuíno ou publicidade disfarçada, informação legítima ou fraude completa. As pessoas não só consomem campanhas difamatórias e flagrantes distorções da verdade como as compartilham entre seus amigos (no Facebook) e/ou seguidores (no Twitter) ou as enviam para sua lista de emails…

Eu recebi – não somente de analfabetos funcionais ou de gente sem traquejo com a internet, mas também de pessoas que se consideram “espertas”, “inteligentes” e “politizadas” – pedidos “indignados” via Facebook e por email para que compartilhasse “notícias” que eram tão aparentemente “verdadeiras” quanto uma nota de R$ 4: uma delas diz que a Suzane Richthofen, aquela moça cúmplice do assassinato dos próprios pais, tornara-se pastora e foi “nomeada presidente da Comissão de Seguridade Social e Família”; a outra “notícia” diz que “bolsa prostituição” foi “aprovada na Comissão de Constituição e Justiça”. Óbvio que que não compartilhei essas mentiras! Se depender de mim, corrente de estupidez é quebrada logo, pois, não sou elo da burrice ou da má fé. Mas me espantou a quantidade de gente que se prestou a passar essas mentiras adiante e a elogiá-las – inclusive gente que faz alguma idéia do que seja uma comissão parlamentar e de como se dá seu processo eleitoral!

Eu mesmo tenho sido vítima freqüente dessas correntes de estupidez. Qualquer criminoso que pegue uma foto minha e coloque, ao lado dela, uma frase que eu nunca disse ou que jamais diria sempre encontra, por mais grosseira que seja sua peça difamatória, uma manada disposta a acreditar na mentira e a compartilhá-la. Foi assim com a peça que atribui, a mim, uma ofensa à Bíblia e aos cristãos; e com aquela outra que se afirma que elogiei a pedofilia em entrevista à CBN. Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência e atenção pode notar que se trata de difamação, porém, as fronteiras entre verdades e mentiras estão tão borradas na internet que a cantora Alcione e o escritor Waldemar Falcão me ligaram para saber se aquilo era verdade. Eles ao menos me ligaram. Houve os que não se dignaram a fazer isso e passaram a mentira adiante. E houve os de má fé, que, mesmo intuindo que se tratava de mentiras, compartilharam-nas porque me odeiam pelo fato de eu ser gay.

A última tentativa de me difamar nas redes sociais recorre à distorção de uma resposta que dei à pergunta do apresentador Marcelo Tas sobre se eu achava o salário de um deputado abusivo. Nessa resposta, eu me referi claramente a mim, à minha experiência como professor universitário, ao meu volume de trabalho como deputado e à minha formação, como explico neste texto . Mas adiantou? Quando há os estouros de boiadas ou as correntes de estupidez nas redes sociais, até algumas pessoas que nos pareciam sensatas deixam de prestar atenção no óbvio!

E os vídeos difamatórios disseminados no Youtube? Eles se valem de trechos de entrevistas reais editados de modo a suscitar preconceitos e a aproveitar a ignorância de quem não tem noção de técnicas de manipulação de audiovisual. Sou vítima deles também. Há pelo menos uns cinco circulando nas redes e sob investigação da Polícia Federal. Existem indícios suficientes para eu crer que alguns desses vídeos foram feitos pelas equipes dos deputados Bolsonaro e Feliciano (dois contumazes difamadores que sabem jogar sujo!) e divulgados com a ajuda de Malafaia, tanto que os denunciei à Procuradoria Geral da República. Os vídeos difamadores que praticamente destruíram as vidas da psicóloga Tatiana Lionço, do pastor Marcio Retamero e do professor Cristiano também partiram dessa quadrilha e, por isso, a OAB decidiu denunciá-la.

O Youtube permite a qualquer pessoa – de neonazistas a publicitários, passando por parlamentares sem escrúpulos, decoro ou ética – postar anonimamente vídeos enganosos, fraudulentos, manipuladores e fora de contexto que são compartilhados até por pessoas que consideramos “inteligentes” – o compartilhamento é quase sempre acompanhado de insultos, injúrias e xingamentos!

É o que o especialista em novas tecnologias Andrew Keen chama de “Youtubificação da política”, que, segundo ele, infantiliza o processo político. De fato, nunca vi tanta infantilidade política por parte dos que aderem a essas estratégias de difamação e elogios da mentira. Não me espanta que o ídolo maior dessa galera seja um mau palhaço com voz de criança que se compraz também em ser um palhaço do mal!

Se, por um lado, a internet democratiza a informação e amplia, de fato, a interatividade das pessoas com as mídias de massa (rádio, cinema e tevê), estendendo a cidadania, por outro, infelizmente, ela vem criando – principalmente contra as “figuras públicas” – a cultura da difamação inconseqüente e/ou ressentida.

É o “dilúvio de informação” de que fala o filósofo Pierre Levy – e contra esse dilúvio, sugere o francês, só nos resta construir uma arca segura, ou, nas palavras, de Gilberto Gil, “uma jangada, um barco que veleje” pelo lixo da “infomaré”.

Construir a jangada é evitar o elogio da mentira para não cairmos no elogio da loucura!

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segunda-feira, 15 de julho de 2013 direitos humanos, homofobia, LGBTs | 13:56

Línguas sujas de sangue

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Mais duas agressões violentas sofridas por jovens homossexuais por conta de sua orientação sexual – e num intervalo curto entre ambas: no último dia 28 de junho, o assessor parlamentar Gilvan de Melo, 23 anos, foi apedrejado na cabeça no bairro Morumbi, em Uberlândia (MG); e apenas uma semana e um dia depois, em 6 de julho, o jornalista do iG Murilo Aguiar, 25 anos, foi espancado por um funcionário da boate Yatch, em São Paulo (o agressor, contratado por uma empresa terceirizada para trabalhar na casa, cujo público é majoritariamente LGBT, gritava para Murilo, segundo o mesmo, que ele deveria “ler mais a Bíblia” e que “todos os gays têm Aids”).

LEIA TAMBÉM: VIOLÊNCIA NA NOITE EM SP – JORNALISTA É ESPANCADO POR HOMOFOBIA

Em ambos o casos, o preconceito anti-homossexual e o discurso de ódio que o expressa propagados por líderes religiosos fundamentalistas aparecem como pano de fundo. Claro que essa violência dura foi praticada por pessoas adultas capazes e responsáveis por seus atos, mas não foi acaso que as agressões tenham vindo acompanhadas por referências à Bíblia.

A culpa não é da Bíblia, óbvio, mas de fundamentalistas (a maioria tão somente oportunistas sem fé, mas hábeis na exploração comercial e empresarial da fé; alguns cumprindo mandatos em câmaras de vereadores, assembléias legislativas e aqui no Congresso Nacional) que distorcem seu conteúdo para usá-lo principalmente contra a população LGBT, ateus e contra as religiões brasileiras de matriz africana (o Candomblé e a Umbanda).

O vereador Mário Milken (PDT-MG) – de quem Gilvan é assessor – está percorrendo Uberlândia com uma camisa que diz “Deus não é homofóbico”. E ele tem razão. Os vendilhões do templo falam em nome de Deus, mas claro está que o Deus da maioria dos cristãos – ou, pelo menos, o Deus percebido pela maioria cristã – não autoriza nem aprova violência simbólica (injúria, calúnia e difamação) e/ou real (lesões corporais, tentativas de homicídio e assassinatos) contra seres humanos (ainda que estes tenham relações afetivas com pessoas do mesmo sexo ou creiam em outro deus ou não creiam em deus algum). Não foi o Deus percebido e reverenciado pela maioria dos cristãos quem pediu que Gilvan fosse apedrejado ou que Murilo fosse espancado!

“Este aumento da homofobia em Uberlândia e no país [como um todo] tem relação com a defesa da ‘cura gay’ na Câmara. O discurso de intolerância dos fundamentalistas acaba influenciando a violência contra homossexuais e outras minorias”, disse à imprensa local o vereador Milken. E, outra vez, ele tem razão! Não há ação sem idéia que a anteceda. Não há insulto ou violência física contra homossexuais e mães-de-santo sem a crença prévia de que estes não são “criaturas divinas, mas demoníacas”; “não fazem parte do povo eleito e, por isso, devem ser condenados ao inferno se não se converterem”; “não integra a comunidade de ungidos” – crença incutida na mentalidade de gente desesperada ao ponto de não conseguir raciocinar com bom senso em relação a essa intolerância religiosa.

As línguas dos líderes religiosos fundamentalistas – e eu não preciso citá-los porque eles estão aí, visíveis nas mídias – as línguas deles estão sujas do sangue das vítimas da intolerância religiosa!

E antes que apareça aquela gente de má-fé sempre disposta a comparar o número de homicídios motivados por homofobia com o número de homicídios em geral para desqualificar a denúncia da violência homofóbica, eu lhe explico que se as taxas de homicídios em geral expressam uma violência à qual estamos todos expostos, apenas as minorias difamadas (LGBTs, negros, povo de santo, judeus, ateus e indígenas) estão expostas aos crimes motivados por preconceito!

Estamos às vésperas de pôr em votação, na Comissão de Direitos Humanos do Senado, o projeto de lei que enfrenta (não só com com o direito penal nem com o endurecimento deste) essas discriminações motivadas por preconceitos de raça, etnia, idade, religião, procedência, orientação sexual, identidade de gênero e em relação a pessoas com deficiências – o PLC122! Essa discussão se faz, portanto, necessária para que se perceba a importância de ele ser aprovado.

Nos tempos em que eu atuava nas pastorais católicas da Juventude Estudantil e da Juventude do Meio Popular, nós costumávamos entoar um cântico que dizia: “Toda Bíblia é comunicação de um Deus-amor; de um Deus-irmão. É feliz quem crê na revelação; quem tem Deus no coração”. Orgulho-me de ter herdado, dos meus tempos de católico, a crença nesse “Deus-amor, Deus-irmão”. E me pergunto se a razão para líderes fundamentalistas “cristãos” não professarem esse “Deus-amor, Deus-irmão” não é tão somente a possibilidade de que esse Deus diminua seus lucros com a exploração comercial da ignorância…

Conheça o caso de Gilvan:

Página em apoio à mãe de Gilvan: https://www.facebook.com/AjudeDonaEva

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terça-feira, 2 de julho de 2013 CDHM, direitos humanos, LGBTs | 18:22

Continuemos com a nossa voz ativa, para em nosso destino mandar!

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Hoje, o deputado João Campos, numa espécie de damage control, já que a grande maioria dos que se expressaram nas ruas é contra o PDC 234 e ao que está por trás dele, e já que tudo indicava que seria ele derrubado se fosse à Plenário para votação, pediu o arquivamento do seu projeto que propõe a suspensão da validade de dois artigos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, em vigor desde 1999, que proíbe os profissionais de oferecer/prometer a “cura gay” (nome muito propriamente dado pela sociedade ao projeto, que assim o apelidou por exatamente isso ele propôr). Por já ter sido aprovado na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, o PDC, de acordo com o Regimento Interno da Câmara, só pôde ser retirado após ser votado no Plenário, o que aconteceu há pouco em Sessão Extraordinária.  Que fique claro que o projeto foi retirado, e não arquivado! Ou seja, esse projeto absolutamente antidemocrático e contrário aos princípios republicanos pode (e deve, como o presidente da CDHM da Câmara dos Deputados já esteja prometendo fazer), voltar para a pauta do Congresso. Apesar disto, essa foi mais uma vitória daqueles e daquelas cujas manifestações disseram um sonoro não ao projeto de decreto que literalmente institui a “cura gay” no Brasil, ao permitir que psicólogos charlatães, interessados principalmente no dinheiro que isto possa significar, operem sessões de “reversão da homossexualidade” nos púlpitos das igrejas e em comunidades terapêuticas, a exemplo do que ocorre – desastrosamente – nos Estados Unidos.

Eu e o deputado Roberto de Lucena debatendo na TV Câmara

Alegam os defensores do projeto, inclusive se apoderando de uma expressão que eu uso bastante, que é uma desonestidade intelectual chamar o projeto assim. Não, não é uma desonestidade. O projeto não estabelece tratamentos, porém retira todas as limitações para que eles ocorram. Dizer que a resolução do Conselho Federal de Psicologia impede que homossexuais busquem atendimento ao seu tratamento psicológico é sim uma grande desonestidade intelectual. Jamais nenhum psicólogo foi impedido de atendê-los.

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Onde está o impedimento? Está na proibição de propor tratamentos de cura à homossexualidade. Não existe como reorientar a sexualidade de uma pessoa. Você pode até convencê-la a partir de proselitismos religiosos, e assim agravar seu sofrimento. Não à toa, Robert Spitzer, um dos psiquiatras mais influentes dos Estados Unidos que, em 2001, publicou, na revista acadêmica “Archives of Sexual Behaviour”, um estudo científico sobre a “terapia reparadora”,  se desculpou publicamente por anos de desserviço à classe, quando defendia as terapias de reversão usando dados falsos.

Querer instituir tal absurdo no Brasil não é apenas um retorno a tempos medievais. É instituir o charlatanismo em uma área tão delicada quanto a saúde mental, capaz de levar tantos ao sofrimento e, em casos extremos, ao suicídio. Nada disto é uma suposição, basta uma simples pesquisa!

Ganhamos mais essa batalha, mas não podemos nos abrandar!

Mais uma vez, parabéns a todas e todos que lutaram contra esse projeto, não vamos esmorecer pois ainda temos muitas violações à laicidade do Estado para combater, como a PEC 99, por exemplo. Continuemos com a nossa voz ativa, para em nosso destino mandar!

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quarta-feira, 19 de junho de 2013 Sem categoria | 18:37

É hora do Congresso se posicionar!

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Hoje foi um dia especial para a nossa luta pela igualdade constitucional tão proclamada, porém tão negada: o direito legal ao Casamento Igualitário. Fomos aos corredores, acompanhados por parlamentares parceiros e militantes (com Ellen Oléria abrilhantando o nosso dia) para coletar as 171 assinaturas necessárias para protocolar a Proposta de Emenda Constitucional que finalmente obrigará o Congresso Nacional a se posicionar sobre o tema, dando fim a tanto tempo de omissão.

Ainda que o casamento igualitário esteja garantido no âmbito do Judiciário, mesmo com a jurisprudência e que a regulamentação do CNJ para os cartórios tenha efeito em toda a administração pública, é preciso continuar a batalha pela legalização do casamento, ou seja, para que o Congresso Nacional legisle sobre esta matéria, alterando o artigo 226 da Constituição e alterando também o Código Civil, sobretudo no trecho que define o que é casamento.

A batalha não está ganha por vários motivos, e entre eles estão as proposições legislativas que tramitam na Casa para submeter decisões do STF para o Congresso Nacional e outras buscam instituir referendos e plebiscitos. Além de não haver o reconhecimento na lei, ainda querem retirar os direitos garantidos no judiciário.

Lutamos sim pelo direito à vida, mas precisamos mais que isso. Nossa luta é também uma luta de reconhecimento.

Ontem a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de decreto legislativo que derruba uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe as terapias de reversão sexual de homossexuais, uma vitoria do estigma sobre os homossexuais. A CDHM tem legalidade, mas não tem legitimidade, pois as pessoas que compõem a comissão hoje são fundamentalistas religiosas que não estão habilitados para julgar, avaliar ou votar os direitos de uma minoria estigmatizada como a minoria LGBT. Mas não há motivo para maiores euforias, pois o projeto não será aprovado nas demais comissões por qual ainda tramitará!

Deixo aqui meu agradecimento a todos que se dispuseram a participar na construção desta discussão, tanto na audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, quanto em nossa ação de recolhimento de assinaturas, também à Ellen Oléria, que se dispôs a dar uma pausa na agenda para nos ajudar e ao Instituto Sabin, parceiro nesta ação.

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sexta-feira, 14 de junho de 2013 direitos humanos, LGBTs | 13:50

Vista esta camisa você também!

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Na próxima semana, dia 19, teremos um dia de ativismo voluntário no Congresso Nacional em prol do casamento civil igualitário. O ato público, organizado por mim, pela deputada Erika Kokay (PT-DF), pela Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos e pelos militantes de vários segmentos do Distrito Federal acontecerá após uma audiência sobre o tema proposta pelo Senador Randolfe Rodrigues, meu colega de PSOL. O objetivo da ação é a coleta das 171 assinaturas necessárias para protocolar a PEC.

Durante o dia, nós parlamentares, artistas convidados e militantes estaremos disponíveis para esclarecer dúvidas sobre a PEC, o Projeto de Lei do Casamento Igualitário (PL 5120/13) e sobre a importância do casamento igualitário ser garantido na legislação brasileira.

Não termos uma lei que vá de acordo com a medida judicial já aprovada pelo CNJ mostra que há um descompasso entre a sociedade e seus representantes no Congresso Nacional. A democracia brasileira está amadurecendo e não podemos permitir que haja retrocessos nesta decisão que, por mais tardia que seja, é indispensável para igualar todas e todos perante a lei, garantindo assim a igualdade proclamada pela constituição, de sermos todos iguais em direitos e deveres. Por isto é preciso alterar a própria constituição, garantindo que as famílias homoafetivas também tenham o direito à igual proteção do Estado.

O texto do artigo 226 da Constituição, que hoje reconhece apenas casais compostos por homem e mulher,  passará a vigorar com o seguinte texto:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

§ 1.º O casamento é civil e é gratuita sua celebração. Ele será realizado entre duas pessoas e, em qualquer caso, terá os mesmos requisitos e efeitos sejam os cônjuges do mesmo ou de diferente sexo.
§ 2.º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
§ 3.º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre duas pessoas, sejam do mesmo ou de diferente sexo, como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

É hora de instalar, definitivamente, esta discussão no Congresso Nacional, para que ele deixe de se omitir.

Quem quiser participar da atividade, aqui no Congresso Nacional, basta enviar um email com nome, RG e telefone de contato para atopublico@jeanwyllys.com.br e buscar sua camiseta e material informativo no dia. Venha vestir a camisa você também! Se você não puder vir, pode entrar em contato com os deputados e as deputadas do seu Estado solicitando que eles assinem a PEC do Casamento Civil Igualitário. Acesse aqui a lista completa com os telefones e e-mails de todos os deputados e deputados da Câmara dos Deputados.

Estão todos convidados, desde já!

Conheça a PEC, o Projeto de Lei e os argumentos a favor do Casamento Igualitário: http://bit.ly/176bMPR

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segunda-feira, 10 de junho de 2013 LGBTs | 18:07

EM NOME DO PAI – Pra não dizer que não falei de Félix

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Sem entrar na questão de se estamos preparados ou não para um vilão gay na novela das nove, o horário de maior audiência da tevê aberta brasileira (levando-se em conta não só o fato de que a maioria do povo brasileiro se informa por meio da tevê; a ainda baixa qualidade da educação formal oferecida pela ampla maioria das escolas públicas; o baixo índice de leitura de livros, mas sobretudo se levando em conta o atual contexto político, marcado pela emergência de um fundamentalismo religioso odioso que se expressa e cresce sobretudo na difamação da comunidade LGBT); sem entrar nessa questão, posso afirmar que Walcyr Carrasco teve uma idéia interessante ou, no mínimo, produtiva para sua nova novela, “Amor à vida”: fazer do grande vilão da trama alguém cuja vilania advém da repressão ou recalque da homossexualidade.

Félix seria então uma denúncia dos impactos nocivos do recalque da homossexualidade ou internalização da homofobia sobre o caráter de gays e lésbicas: estes experimentam inicialmente, desde a mais tenra infância, o sentimento de pertencer a outra raça; com raras exceções, são vistos pelos próprios pais, quase sempre violentamente hostis à orientação sexual ou identidade de gênero que se expressa apesar de toda repressão, como condenados a uma sexualidade vergonhosa e incapazes de lhes gerar uma descendência; por conta disso, para não decepcionarem esses pais e estarem à altura das suas (dos pais) expectativas, muitos são os que desenvolvem um ódio de si mesmo (e, logo, do semelhante; ou seja, internalizam a homofobia), buscando no suicídio ou no fingimento a saída para seu sofrimento, podendo o fingimento incluir a busca pela realização do desejo homossexual no sexo anônimo em banheiros públicos, saunas e parques; realização do desejo sempre seguida de culpa e de mais ódio de si, claro. Félix seria alguém que teria optado por essa segunda saída. Todo seu fingimento – e por conseguinte todo seu mau caráter – é em nome do pai que sempre o rejeitou e reprimiu por causa da homossexualidade. Félix seria um perverso em função da “lei do pai”; teria uma perversão por conta desta; seria uma “père-version” (versão outra do pai), para usar a expressão lacaniana. Não por acaso Walcyr Carrasco havia escolhido, como primeiro título de sua novela, a expressão “Em nome do pai”.

Mas não é esse Félix que estamos vendo na tela ou, pelo menos, estamos vendo apenas parte desse Félix prometido. Este jamais poderia ser tão afeminado ou dar tanta pinta.

Um perverso em decorrência da homossexualidade recalcada e conscientemente preso num armário jamais se exporia tanto quanto Félix se expõe, principalmente por meio do “humor bicha” presente em expressões como “Estou uma gelatina de exaustão”, “Minha pele borbulha com comida gordurosa”, “Eu devo ter salgado a santa ceia para merecer isso!”, “Pelas contas do rosário”, “Deu a Elza”, “Vou arrumar o topete, que ele despencou”. Essas expressões – assimiladas e reproduzidas só por quem vive a cultura gay – associadas à afeminação são bandeiras impossíveis num gay enrustido, casado com mulher, pai de um filho adolescente e herdeiro de um grande hospital de São Paulo!

E a culpa desse Félix defeituoso enquanto personagem não é de Mateus Solano, excelente ator que não precisa provar seu talento a mais ninguém. Solano lê um texto com rubrica que lhe chega às mãos. Seria estranho se Solano não colocasse alguma afetação num texto que diz “Ai, meu Deus, eu só posso ter salgado a Santa Ceia para merecer uma coisa dessas!”.

O problema é do autor da novela, que não se contentou em criar um personagem coerente, mas, antes, quis fazer, dele, um sucesso de público como o foram as vilãs Odete Roitman, Maria de Fátima, Nazaré e Carminha. Carrasco é um homem inteligente, bem-informado e conectado à internet, logo, está a par do enorme sucesso que os perfis das “bichas más” (ou das que se apresentam como “bichas más”) – Hugo Gloss, Cleycianne, Gina Indelicada, Irmã Zuleide, Xuxa Verde, Nair Belo, Katylene e Paola Poder – fazem nas redes sociais. Carrasco quis, portanto, importar, para Félix, esse mar de venenos que tanto seduz os internautas em redes – hoje elementos imprescindíveis na conquista da audiência.

Sem essa maledicência típica de alguns homossexuais (mas não de todos e nem mesmo da maioria), sobretudo típica daqueles que jogam mais aberto com certa feminilidade de estrelas do cinema e da música pop; sem essa maledicência “feminina”, como fazer, do Félix, um vilão amado? Carrasco também é um autor experiente e já declarou ser fã de telenovela antes mesmo de começar a escrever as suas; portanto, sabe que o sucesso de Odete Roitman, Maria de Fátima, Nazaré e Carminha tem a ver com a marca de gênero, ou seja, com o fato de elas serem mulheres. E nunca é demais lembrar que essas vilãs foram e são populares principalmente entre gays e mulheres heterossexuais, que constituem o núcleo duro da audiência das telenovelas. Logo, se Félix fosse um gay enrustido que insistisse numa performance de gênero masculina, seria certamente odiado, mas jamais popular.

Ao associar o “humor bicha” a um personagem gay recalcado capaz de cometer crimes hediondos em nome de sua ambição, Walcyr Carrasco esvazia a função de defesa psíquica e de resistência política que este humor tem. Como já disse, o “humor bicha” que se expressa sobretudo em frases irônicas, anedóticas e de deboche consigo e/ou com seus pares só pode ser exercitado por quem saiu do armário, voluntária ou compulsoriamente. Pois, como disse Freud do chiste, o “humor bicha” é a formação do inconsciente que mais se insere no social; logo, necessita do outro para referendá-lo (Quem está no armário se esforça para não expor sua orientação sexual ao outro ou encena a orientação sexual socialmente aceita e validada). O “humor bicha” é uma estratégia do inconsciente dos homossexuais – inconsciente quase sempre estruturado sob o insulto, a injúria e a humilhação perpetrados pela ordem heteronormativa e, portanto, homofóbica – para defender a mente e o corpo da angústia e de outros sintomas das neuroses.  O “humor bicha” atua então como álibi da verdade do sujeito homossexual que, até então (até sair do armário), não fora possível de ser dita. Este humor passa a ser também uma estratégia de resistência política: por meio dele, a comunidade LGBT (sobretudo o seguimento T dessa “sopa de letras”) debocha da ordem masculina que a oprime e dá significado positivo a palavras insultuosas e difamantes. Associar o “humor bicha” a um criminoso frio e egoísta é perder de vista sua função na luta de LGBTs por dignidade, estima e direitos. A redenção de Walcyr Carrasco nessa questão pode vir se e somente se este humor estiver presente em algum dos outros dois gays que fazem parte da trama. Do contrário, estará provado que Carrasco salgou a Santa Ceia!

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quarta-feira, 29 de maio de 2013 Sem categoria | 09:59

Arnaldo, Brown e Marisa lançam música em apoio à campanha pelo Casamento Igualitário

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O Casamento Civil Igualitário já foi regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça mas ainda falta sua aprovação no Congresso.

O trio fez uma música para sensibilizar os deputados, senadores e a sociedade brasileira em nome da liberdade de amar.

“Joga Arroz”, escute, faça o download e cante conosco.

Clique aqui com o botão direito do mouse e clique em “Salvar link como” para baixar a versão em MP3

Joga Arroz
(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte)

O seu juiz já falou
Que o coração não tem lei
Pode chegar
Pra celebrar
O casamento gay

Joga arroz
Joga arroz
Joga arroz
Em nós dois

Quem vai pegar o buquê
Quem vai pegar o buquê
Maria com Antonieta
Sansão com Bartolomeu
Dalila com Julieta
Alexandre com Romeu

Joga arroz
Joga arroz
Joga arroz
Em nós duas em nós todos
Em nós dois

Escute também nos sites:

www.arnaldoantunes.com.br
www.carlinhosbrown.com.br
www.marisamonte.com.br
http://www.casamentociviligualitario.com.br

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sexta-feira, 17 de maio de 2013 LGBTs | 10:58

Nota à população LGBT do Rio: decisão do CNJ sobre casamento civil igualitário é irreversível

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Igor e Felipe, casal do bairro de Campo de Grande, subúrbio da cidade do Rio. Eles queriam se casar, agora podem

Como Deputado Federal eleito pelo Rio de Janeiro, parabenizo os juízes membros da Corregedoria de Justiça do meu Estado por emitirem um ato normativo que reforça a já histórica decisão do Conselho Nacional de Justiça em regulamentar os pedidos de habilitação direta para o casamento civil dos casais homoafetivos, bem como os de conversão da união estável em casamento. Este documento é importante para acalmar os milhares de corações e mentes dos casais homoafetivos do estado, bem como  seus familiares, em especial da cidade do Rio de Janeiro, que, mesmo com a decisão do CNJ, ainda estavam em dúvidas se a justiça do Rio de Janeiro iria acatar a decisão do conselho.

Essas dúvidas, expressas através de mensagens em nosso sistema de atendimento à população e, principalmente, de questionamentos publicados no perfil da campanha pelo casamento civil igualitário no facebook, são plenamente justificadas devido ao fato do Juiz da Vara de Registros Públicos, Luiz Henrique Oliveira Marques, continuar (através de uma interpretação pessoal) negando o acesso ao casamento aos casais compostos por duas pessoas do mesmo sexo –  mesmo com a decisão do STF de reconhecimento das uniões estáveis homoafetivas, com o STJ reconhecendo a habilitação direta dos casais de lésbicas e gays para o casamento civil, e com mais de uma dezena de regulamentações em estados de todas as regiões do país.

Em entrevista para o Bom dia Rio nesta quinta-feira,16, um dos conselheiros do CNJ, Guilherme Calmon, já havia reforçado que os pedidos de casamentos entre duas pessoas do mesmo sexo não precisariam mais serem submetidos irrestritamente ao juiz da vara de registros públicos, que acabava por negar esse direito aos casais. Isso não acontecerá mais.

Como representante eleito da população do estado do Rio de Janeiro no congresso nacional, como gay assumido, me solidarizo inteiramente com os milhões de cidadãos e cidadãs do estado, que assim como eu, agora possuem o acesso ao direito civil do casamento, igualmente acessível à casais hetero e homossexuais.

Por diversas vezes, meu mandato, assim como outras organizações como a OAB, a Arpen-RJ e outros mais, tentaram criar um diálogo com a corregedoria de justiça do Rio, de modo que o órgão, no uso de suas competências, estendesse o direito ao casamento aos homossexuais, como já haviam feito 12 estados do país. Foi necessário que a instância superior de regulação administrativa do judiciário, o CNJ, emitisse a resolução 175/2013 para que o Rio pudesse finalmente dar mais um passo rumo à plena igualdade de direitos.

Antes de resolução do CNJ, meu mandato, através do PSOL, junto com a Associação de Registradores de Pessoas Naturais do Rio de Janeiro (Arpen-RJ), havíamos entrado com uma ação no mesmo orgão pedindo exatamente a regulamentação do casamento civil igualitário no Brasil. Fico extremamente feliz, que essa decisão terá um impacto significativo no acesso ao direito, bem como na maneira que o Brasil percebe os afetos, as relações e o estabelecimentos de laços familiares, tão fundamentais para o fortalecimento da nossa sociedade democrática e laica.

Reafirmo aqui meu compromisso com a população do Rio em defender os direitos humanos, a igualdade de direitos e em  lutar por um país mais justo e igualitário para todos e todas.  Sou seu representante no congresso nacional!

Jean Wyllys
Deputado Federal pelo PSOL-RJ

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Leia também:
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14/05/13 – Jean Wyllys parabeniza CNJ pela regulamentação federal do casamento civil igualitário no Brasil – http://jeanwyllys.com.br/wp/jeanwyllys-parabeniza-cnj-pela-regulamentacao-federal-do-casamento-civil-igualitario-no-brasil
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16/05/2013 – Jean Wyllys: De passo em passo seremos, de fato, “todos iguais sem distinção de qualquer natureza” –http://jeanwyllys.ig.com.br/2013/05/16/todos-iguais-sem-distincao-de-qualquer-natureza/
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19/04/2013 – Jean Wyllys: “A justiça do Rio de Janeiro perdeu uma oportunidade histórica” – http://jeanwyllys.com.br/wp/jeanwyllys-a-justica-do-rio-de-janeiro-perdeu-uma-oportunidade-historica
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08/04/2013 – Jean Wyllys e Arpen-RJ solicitam ao CNJ a regulamentação do casamento civil igualitário em todo o Brasil – http://casamentociviligualitario.com.br/jeanwyllys-e-arpen-rj-solicitam-ao-cnj-a-regulamentacao-do-casamento-civil-igualitario-em-todo-o-brasil/
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21/05/2012 – CGJ-RJ atende solicitação de Jean Wyllys e emite nota: cartórios não podem se recusar a receber conversão de união estável de casais homoafetivos em casamento – http://jeanwyllys.com.br/wp/cgj-rj-atende-solicitacao-de-jeanwyllys-e-emite-nota-cartorios-nao-podem-se-recusar-a-receber-conversao-de-uniao-estavel-em-casamento
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quinta-feira, 16 de maio de 2013 LGBTs | 14:40

De passo em passo seremos, de fato, “todos iguais sem distinção de qualquer natureza”

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Apesar do cansaço de duas noites mal (não) dormidas, por conta da extensa e turbulenta votação da “MP dos Portos”, ainda tenho forças para celebrar o dia de hoje: um dia histórico em que o Brasil se torna, oficialmente, a partir da publicação no Diário de Justiça, o 15º país a regulamentar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Hoje celebramos o fim da insegurança jurídica que ainda acompanhava os casais de lésbicas, gays, travestis e transexuais, mesmo depois do reconhecimento de nossas famílias pelo Supremo Tribunal Federal.

Fico muito feliz de ter contribuído com essa vitória, pois a campanha pelo casamento civil igualitário que meu mandato toca desde que fui eleito, em 2011, assim como as reuniões que fiz com vários juízes, as palestras Brasil afora, e os muitos textos que escrevi a respeito do tema, de alguma maneira sensibilizou a sociedade. Minha felicidade será completa quando esse reconhecimento for transformado lei.

Na prática, o casamento civil igualitário, a partir de hoje, é uma realidade no Brasil. Agora o Congresso precisa votar um projeto de lei que altera do código civil e uma proposta de emenda que altera o artigo 226º da Constituição Federal do Brasil, onde os direitos ao casamento e à união estável estão reconhecidos. Estas duas proposições legislativas, de autoria minha e da deputada Érika Kokay (PT-DF), darão essa força de lei que precisamos para materializar essa igualdade proclamada na Constituição. Casas legislativas ao redor do mundo se movimentam nesse sentido, o Brasil precisa acompanhar o ritmo da história. Quero poder dizer, com todas as letras, que sim, os cidadãos e cidadãs são, de fato, “iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

Jean Wyllys
Deputado Federal pelo PSOL do Rio de Janeiro

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