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sexta-feira, 17 de abril de 2015 Sem categoria | 22:28

Empoderar as mulheres e as meninas para que tenham uma vida autodefinida, saudável e produtiva.

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Abaixo, a íntegra do meu discurso na Conferência Parlamentar Internacional que acontece em Berlim, na Alemanha, a convite do Fundo de População das Nações Unidas. Em breve apresentarei a íntegra do documento resultante da Conferência, aprovado pelos membros dos mais de 170 países, e que conta com várias contribuições minhas enquanto representante oficial do Legislativo brasileiro nas discussões para a implementação das metas do Consenso do Cairo, assumidas pelo Brasil em 1994.

 

*
“Boa tarde a todas e todos parlamentares e especialistas!

Parabenizo os organizadores desta conferência e agradeço o convite que me permitiu estar aqui compartilhando questões acerca dos direitos sexuais e reprodutivos em nossos países.

O Brasil é um país majoritariamente feminino. Mais da metade dos nossos quase 200 milhões de habitantes é composta de mulheres.

Entretanto, embora sejam maioria numérica e sejamos governados por uma mulher – a presidenta Dilma Rousseff – as mulheres no Brasil não estão plenamente empoderadas.

No Brasil, as mulheres estão sub-representadas nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário nos três níveis de nossa federação (nos municípios, nos estados e na União); a maioria ocupa posições subalternas no mercado de trabalho e muitas das que chegaram a níveis superiores da hierarquia empresaria recebem salários menores que seus colegas do sexo masculino mesmo quando têm mais formação que eles.

De modo que, no Brasil, apesar do desenvolvimento e avanços sociais dos últimos doze anos, a pobreza ainda tem gênero e etnia: ela é feminina e negra. Sim, o racismo institucional – herança de séculos de escravidão de negros trazidos de povos da África subsaariana – marginaliza a população afrodescendente desde a – e apesar da – abolição da escravatura no final do século XIX.

Ainda que os movimentos feministas e LGBT há tempos se refiram a direitos sexuais e reprodutivos em suas ações, discursos e manifestações, só recentemente a jurisprudência brasileira começou a reconhecer tais direitos como direitos humanos – Mais especificamente quando o Supremo Tribunal Federal julgou a constitucionalidade da união estável – e, consequentemente, do casamento civil – entre pessoas do mesmo sexo e a constitucionalidade do aborto de anencéfalos.

Com esse julgamento, o STF incorporou, às duas situações em que o aborto era autorizado no Brasil – em caso de risco de vida da mãe e em caso de estupro – o STF incorporou, a estas duas situações, uma terceira: caso a gravidez seja de anencéfalo, o aborto está autorizado.

Fora dessas três situações, a interrupção voluntária de uma gravidez indesejada é criminalizada no Brasil; punida com pena de prisão.

Mas, embora criminalizada, a interrupção voluntária de gravidez indesejada é praticada larga e clandestinamente em nosso país. São realizados cerca de 850 mil abortos por ano.

O aborto clandestino e, portanto, inseguro é a quarta causa de mortalidade entre as mulheres em geral e a primeira entre mulheres negras e pobres. Sem contar que o aborto clandestino – assim como, antes, a própria gravidez indesejada – tem enorme impacto negativo na saúde psíquica das que sobrevivem ao procedimento. Ou seja, trata-se de uma questão de saúde pública coberta por hipocrisia, dogmatismo e falso-moralismo.

Em parceria com mulheres de coletivos feministas empenhados na promoção dos direitos sexuais e reprodutivos, eu elaborei um projeto de lei que descriminaliza e regulamenta a interrupção voluntária e segura da gravidez indesejada até décima segunda semana de gestação e dá outras disposições: como, por exemplo, a garantia de educação sexual nas escolas públicas e privadas e o acesso gratuito a métodos contraceptivos e a programas de planejamento familiar.

O projeto está tramitando, mas sua aprovação é difícil devido ao fato de o parlamento brasileiro estar composto majoritariamente por políticos conservadores; entre os quais, destacam-se aqueles eleitos por igrejas e seitas fundamentalistas que negam, às mulheres, a autonomia e o controle sobre seus próprios corpos.

Esses políticos e os seguimentos da sociedade brasileira que eles representam se opõem ferozmente à equidade de gênero, mas também ao reconhecimento da dignidade humana de lésbicas, gays, bissexuais e pessoas transexuais – o que só recrudesce a homofobia (entendida aqui como incluindo também as violências reais e simbólicas contra lésbicas e pessoas transexuais) que põe o Brasil entre os países campeões de assassinatos de homossexuais, bissexuais, travestis e transexuais.

Esses políticos conservadores e os seguimentos da sociedade que eles representam se opuseram recentemente até mesmo a uma campanha de vacinação contra o HPV – o vírus responsável pelo câncer de colo de útero e transmitido sexualmente – campanha de vacinação empreendida pelo Ministério da Saúde entre meninas de 9 a 13 anos de idade. E se opuseram sob o argumento de que esta campanha de vacinação estimularia a sexualidade precoce das meninas.

Porém, independente da vacinação, o número de adolescentes e meninas grávidas é significativo e alarmante, sobretudo entre as mais pobres.

Apesar desse cenário ruim, o partido de centro-esquerda que está no governo há mais de 12 anos e ao qual faço oposição responsável e republicana, implementou boas políticas públicas que visam assegurar alguns direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.

Além da já citada campanha de vacinação contra o HPV, o Ministério da Saúde colocou, à disposição das mulheres vítimas de estupro, além da assistência psicológica, a pílula do dia seguinte para evitar gravidez decorrente dessa medonha violência sexual.

O Ministério da Saúde também implementou a Rede Cegonha, política que visa assegurar a todas as mulheres o direito ao planejamento reprodutivo, aos exames pré-natal e ao parto e puerpério humanizados. Há inclusive, na Câmara dos Deputados, um projeto de lei de minha autoria em parceria com a Artemis – organização não-governamental – que objetiva dar força de lei ao parto e ao puerpério humanizados e respeitosos. Hoje no Brasil, a maioria dos partos é realizada via cirurgia cesariana ainda que este procedimento triplique o risco de vida da mãe e do bebê. Em algumas maternidades privadas, mais de 90% dos partos são realizados via cesariana. O objetivo da rede cegonha assim como do meu projeto de lei é erradicar a violência obstétrica e manter o percentual de cesarianas em torno dos 15%, que é o recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Os governos dos últimos doze anos também implementaram um programa de renda mínima para os mais pobres – o Bolsa Família, do qual muitos de vocês já devem ter ouvido falar – que teve enorme impacto positivo não só na mobilidade social dos beneficiados como também na proteção de meninas e adolescentes pobres contra a exploração sexual e o tráfico humano: antes do Bolsa Família, era mais frequente a venda de filhas por parte de pais e/ou mães como meio de sobrevivência.

Para nós políticos e ativistas progressistas, o Brasil não se tornará a potência que pretende ser se não houver maior investimento em mais políticas como essas. As políticas a que me referi são boas, mas não são suficientes. Há que se investir em outras bem como na aprovação de leis que levem, em médio prazo, à equidade de gênero e ao reconhecimento pleno dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres (mas também dos homossexuais, bissexuais e pessoas transexuais), pois este é o único caminho de um desenvolvimento sustentável.

Muito obrigado!”
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quarta-feira, 11 de março de 2015 Sem categoria | 22:44

É de batalhas que se vive a vida!

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cdhmeleicaoVocês estão acompanhando aqui o imbróglio na Comissão de Direitos Humanos e Minorias que, até o momento, ainda não teve sua mesa eleita graças a uma quebra explícita, por parte dos evangélicos que compõem o bloco de partidos liderados pelo PT, do acordo feito no colégio de líderes de que o PT presidiria a comissão – quebra que se expressou com o lançamento da candidatura avulsa de Sóstenes Cavalcante (PSD/RJ), construída a partir da aliança entre as bancadas da Bala e da Bíblia (http://on.fb.me/18cYbrJ). Com a maioria numérica para retirar a presidência do PT e emplacar a candidatura avulsa de Sóstenes, essa turma poderia derrotar o PT no voto – ainda que, com essa derrota, corresse o risco de afastar mais uma vez, da CDHM, os deputados e deputadas realmente comprometid@s com os Direitos Humanos de TODAS e de TODOS. Diante disso, só restou ao PT partir pra uma negociação com os evangélicos do bloco de partidos que lidera no sentido de garantir um espaço legislativo para os direitos humanos das minorias sexuais, étnicas, sociais e religiosas: a mesa será composta pelos seguintes nomes: Paulo Pimenta, do PT/RS (Presidência) e, nas vice-presidências, eu, Rosângela Gomes (PRB-RJ) e Marco Feliciano (PSC/SP). O propósito da negociação foi o melhor, portanto.

Haveria uma alternativa: a mesma que nós deputad@s comprometid@s com a pauta adotamos quando Marco Feliciano foi eleito presidente, que foi abandonar a CDHM (http://on.fb.me/1b2X9jy), mas isso significaria perder por mais um ano um espaço legislativo de discussão para a pauta das minorias historicamente estigmatizadas. Avaliamos que, sem nós (aqueles e aquelas realmente comprometid@s com os DHs), ainda que sejamos minoria, a CDHM perde qualquer legitimidade, mas se sairmos perderemos o espaço. Então, negociamos. Como em qualquer negociação há perdas e ganhos para os dois lados.

É lamentável que mesmo numa questão como essa, o site G1 e uma parte da imprensa aproveitem para demonizar o PT, ao sugerir um acordo escuso do partido com os evangélicos, de modo a mantê-los na CDHM; ou para transformar uma difícil luta política numa querela pessoal entre Marcos Feliciano e eu… É lamentável porque, na verdade, o que aconteceu foi um acordo pra SALVAR um espaço LEGISLATIVO mínimo para os DHs das minorias (http://glo.bo/1MtVnWa). o PT é, sim, passível de crítica por seus erros, mas o partido tem inúmeros acertos, sobretudo no que diz respeito à pauta dos DHs na Câmara.

A reunião da CDHM que elegerá a mesa da mesma foi remarcada para amanhã, às 10h. Aguardemos para ver se a negociação será mantida. É de batalhas que se vive a vida!

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014 Sem categoria | 18:40

Desistir jamais, tentar sempre. Direitos humanos são para todas e todos!

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images (2)Um dia especial, sem dúvida. Nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu. Está tudo diferente, apesar do que permanece… Dia 10 de dezembro. Nesta data, em 1962, nasceu Cássia Eller. Quando ouvi a voz dessa mulher pela primeira vez, eu era aluno da Fundação José Carvalho. Na única televisão que havia neste colégio interno – por isso mesmo, com uma programação disputadíssima pelo alunos e alunas – assisti a um show de Cássia Eller na extinta Rede Manchete… E minha vida nunca mais foi a mesma! Implorei a minha professora de Língua e Literatura, Nanci Vieira, que comprasse o disco de Cássia para mim em Salvador (o colégio interno ficava em Pojuca, interior da Bahia). “Quem é essa que se faz passar por cantora?”, perguntou-me Nanci na hora, para me provocar. Mas realizou meu desejo. Eu amei aquele vinil! E, como a personagem de Clarice Lispector em “Felicidade clandestina”, eu me esquecia dele de propósito só para experimentar, depois, a felicidade de me lembrar que o tinha guardado…
Anos depois, já jornalista, tive a honra de entrevistar Cássia Eller em cima do trio de Margareth Menezes durante um Carnaval na Bahia. Cássia usava um cabelo pintado de verde. Entre os muitos jornalistas que a disputavam, ele me destacou e me pediu que aguardasse, pois falaria comigo depois e com calma. Por que? Até hoje não sei direito. Mas suspeito que nossa troca de olhares disse muito de um para o outro. Conversamos por quase uma hora. E ela, que havia sido tímida com os outros jornalistas, soltou-se bastante, riu e até fez considerações sobre algumas de suas colegas de geração, como, por exemplo, confessar a gratidão a Marisa Monte por sugestões que a levaram a reorientar sua (de Cássia) carreira e dizer, com humor, que gostava de Adriana Calcanhotto, mas a preferia loura e menos sofisticada como no início da carreira. Pensei comigo: “Essa mulher poderia ser minha amiga”.

Alguns anos mais tarde, quando soube da notícia de sua morte, chorei como se tivesse perdido a amiga que eu teria um dia, mas que já era amiga de outra forma. Chorei profundamente. E só me consolo em relação a essa perda por que tenho sua música. A arte de Cássia Eller me ajuda a sentir ser humano e a viver ser urbano. Hoje sua música começou meu dia.
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Dez de dezembro é também o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Ainda que eu comemore essa data, eu lamento ainda não termos superado a necessidade de uma data especial para fazermos existirem os direitos humanos (principalmente daqueles e daquelas que estão excluídos da cidadania plena em função de sua etnia, procedência, idade, classe social, identidade de gênero, orientação sexual, alguma deficiência física ou cognitiva, religião ou do fato de não serem religiosos). Estou ciente, contudo, de que a noção de “humanidade” não está fechada nem concluída – e não há “direito humano” sem “humanidade” prévia! Ao longo de nossa história, diferentes coletivos e indivíduos foram excluídos da comunidade de direitos, escravizados, difamados e/ou exterminados por não serem considerados humanos ou por terem sido desumanizados. Podemos mesmo dizer que a nossa história é a a história de extensão da comunidade considerada “humana” – e hoje já há quem queira estendê-la a outras espécies animais.

Sendo assim, é fundamental um dia internacional para comemorarmos os diretos humanos, haja visto que a noção de “direitos humanos” que trabalhamos hoje aparece pela primeira vez na Declaração da Independência dos EUA (1776); depois na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão da Revolução Francesa (1789); e, por fim, na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) – ou seja, em momentos em que muitos estavam ou foram excluídos da comunidade de direitos por causa de suas posições de sujeito, sobretudo no caso dos judeus, ciganos, homossexuais e comunistas exterminados pela empresa nazista porque eram o que eram.
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O dia de hoje se faz importante também porque aqui na Câmara dos Deputados, templo em que os direitos humanos reconhecidos pela Constituição Federal – portanto, direitos fundamentais – deveriam ser protegidos e promovidos, vários deputados fizeram hoje discursos em favor de “direitos humanos apenas para humanos direitos” e desqualificaram as mulheres e homens que se dedicam a defender os direitos humanos das minorias e dos delinqüentes.
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Neste dia, após ouvir Cássia Eller cantando “Por enquanto”, dei uma lida nos jornais e blogs e tive o desprazer de ver, nos comentários do post de Ricardo Noblat sobre a ofensa do deputado fascista à ex-ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário, dezenas de comentários em defesa do fascista, que disse ontem não estuprar a deputada por ela não merecer. Há, nesses comentários, inclusive mulheres chamando Rosário de “vadia” e “vagabunda” e “justificando” a violência verbal perpetrada pelo deputado fascista contra ela com o fato de Rosário ser petista e “comunista”. Red is the new black! Ou a burrice dessa gente virou um aleijão.
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Diante disso, a primeira impressão é a de que mudaram as estações, mas nada mudou. Todavia não é verdade. Ainda que nossas conquistas em termos de extensão da comunidade humana não sejam pra sempre, uma vez que “o ‘pra sempre’ sempre acaba” (daí a necessidade de nos mantermos atentos!), ainda assim, alguma coisa aconteceu: está tudo diferente. E se depender de mim e de tantos outros, nada será como antes no que diz respeito aos direitos humanos de minorias, da mesma maneira que a MPB nunca mais foi a mesma depois de Cássia Eller. Desistir jamais, tentar sempre. Direitos humanos são para todas e todos!

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segunda-feira, 8 de setembro de 2014 Sem categoria | 15:04

A esperança nunca será silenciosa! Nestas eleições, #VoteLGBT !

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Foto: Paulo Negreiros

Toda pessoa deveria ter sua dignidade reconhecida e os direitos humanos deveriam ser de todos e todas, mas alguns segmentos da população estão excluídos da comunidade de direitos por preconceito e discriminação. Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais são vítimas de violência nas ruas, bullying nas escolas e discriminação no mercado de trabalho por serem quem são. Eu não me sentia representado por quem estava na política institucional e por isso me candidatei ao cargo de deputado federal porque considero muito importante que ocupemos nossos espaços nas casas legislativas do país e nos façamos representar na política, principalmente quando há um avanço do fascismo que tenta nos tornar invisíveis e nos tirar o pouco de direitos e de dignidade que já conquistamos com muita luta e suor.

Precisamos ocupar a política, para que ela não seja mais o espaço para o reacionarismo, elitismo, racismo, homofobia e o falso moralismo. Para que ela não seja o instrumento para eternizar o poder das capitanias hereditárias políticas, nem que sirva à marginalização daqueles e daquelas que historicamente já tem seus direitos negados.

Por isto, achei muito bacana a iniciativa da campanha suprapartidária #VoteLGBT que tem como objetivo incentivar o voto contra o ódio, a intolerância e a violência. O site apresenta um levantamento dos candidatos e candidatas de todos os Estados do país por estados e também pelos cargos de deputado federal, deputado Estadual, Senador ou Senadora que são gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais ou simpatizantes e que tem compromisso real com a causa LGBT. E mais importante do que isto, o site também apresenta as propostas de cada um/a destes candidat@s, deixando claro que é preciso uma reflexão crítica na hora do voto: Não basta ser LGBT ou simpatizante, é preciso ter uma proposta clara pela diversidade!

Nestas eleições, vote certo! Somos tod@s um e você é um de nós!

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quarta-feira, 13 de agosto de 2014 Sem categoria | 12:48

A cegueira moral (ou onde vamos parar?)

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10561594_731115843603092_4856494401468690371_nO capítulo de hoje de “Império” – a que acabei de assistir na internet – me fez pensar em algo em que nós, unidades da sociedade contemporânea, estamos envolvidos. A trama que envolve Cláudio (José Mayer), o homossexual ou bissexual travado, e Téo (Paulo Betti), o jornalista gay assumido, misógino e maledicente, é mais que uma interrogação sobre um possível “direito ao armário”:

Aguinaldo Silva propõe um debate mais sofisticado e profundo porque em torno de uma das principais manifestações do mal nos dias de hoje: a “colonização da privacidade” alheia, por meio da qual uns tentam se apoderar de segredos dos outros que nunca deveriam vir a público ou dos quais nunca se deveria falar – colonização que se expressa não só no exercício da “imprensa de celebridades” (Caras, Contigo, IstoÉ Gente, Ego, Fuxico et caterva), mas, sobretudo, no compartilhamento de fotos comprometedoras e/ou sex tapes privadas em redes sociais como Facebook e WhatSApp.

Em que medida isso é uma face do mal nos dias atuais? Ora, que subjetividade (eu, ego, caráter) pode sair ilesa de uma difamação ou exposição em larga escala como a que ocorre na internet? Nenhuma! Que sujeito pode ser o mesmo depois de sucumbir ao tribunal do Facebook e à subseqüente pena de linchamento moral que este aplica? Nenhum! Depressão é o sofrimento mínimo: muitos dos “réus” dão cabo da própria vida devido ao linchamento virtual.

A expressão “colonização da privacidade” eu tomei emprestada de Leonidas Donskis; do livro que ele escreveu em parceria com Zygmunt Bauman e que chegou às livrarias no último dia 24 de julho: “Cegueira moral – a perda da sensibilidade na modernidade líquida”.

Meu exemplar foi uma cortesia da editora, a Zahar. Quando o recebi, perguntei-me: “Por que, entre os tantos livros de Bauman que publicou, a Zahar decidiu me mandar justo esse?”. Mas só ao concluir a leitura que cheguei à resposta.

Há, entre o livro escrito por Bauman e Donskis e o meu mais recente (“Tempo bom, tempo ruim – identidade, políticas e afetos”), uma grande afinidade temática e de abordagem (longe, muito longe de qualquer pretensão de me equiparar ao gênio de Bauman, claro!). O papel das redes sociais digitais na banalização de um mal cujos impactos não se restringem ao espaço virtual é um dos temas tratados em ambos os livros. O tempo ruim é este da cegueira moral!

Um dos capítulos de meu livro que mais gostei de escrever é o que trata do “retorno do fascismo” (no sentido do retorno do recalcado, sendo o “recalcado”, aqui, não um adjetivo, mas o particípio passado do verbo recalcar em sua acepção psicanalítica). Sobre esse retorno do mal recalcado por uma tolerância burocratizada, encontrei uma passagem memorável em “Cegueira moral”: “Novas formas de censura [como, por exemplo, a suspensão de perfis no Facebook que publicam fotos de feministas com seios de fora, mães amamentando ou casais do mesmo sexo se beijando] coexistem – da maneira mais estranha – com a linguagem sádica e canibalesca encontrada na internet e que corre solta nas orgias verbais do ódio sem face, nas cloacas virtuais em que se defeca sobre os outros e nas demonstrações incomparáveis de insensibilidade humana (em especial nos comentários anônimos)”.

Não há descrição melhor para o que ocorre nas caixas de comentários de matérias sobre minorias étnicas, religiosas e sexuais, bem como sobre celebridades, publicadas por sites, portais e blogs. Não há descrição melhor para a reação de muitas das pessoas [não a maioria, graças aos deuses!] que comentam meus posts aqui.

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terça-feira, 5 de agosto de 2014 Sem categoria | 02:46

“Império” é um suave veneno

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leo_claudio3Afirmar que “daqui a pouco até Pernalonga vai ter beijo gay” – como fez Aguinaldo Silva, autor da nova novela das nove da Globo, “Império”, entre outras de sucesso na mesma emissora – é uma provocação. E provocar é o que Aguinaldo Silva sabe fazer bem. Jornalista esperto, ele sabe manipular bem e a seu favor as mídias que se alimentam de – e se sustentam em – declarações “polêmicas” de celebridades. Ativista político experiente, sabe quais afirmações serão virais entre reacionários e progressistas e, portanto, chamarão a atenção de ambos para sua obra. A afirmação sobre Pernalonga não passou, portanto, de uma provocação (que, de resto, só surtiu efeito mesmo entre aqueles que nunca assistiram com atenção ao desenho animado do coelho que vive brincando com a troca de gêneros e, assim, colocando-se o tempo todo na iminência de um “beijo gay”, como mostra este clipe. Quem conhece Pernalonga debochou da declaração de Aguinaldo.

Mas as melhores provocações de Aguinaldo Silva são mesmo suas telenovelas. Escritor criativo, Silva optou por cultivar seu talento mais na teledramaturgia que na literautura. “Império” é a prova de que, em que pese a bem-vinda e surpreendente renovação no quadro de autores da Globo, quem ainda melhor entende do riscado é um veterano. E com esta novela em especial, ele mostra que é ainda capaz de se superar ou de reinventar a si mesmo. Escrevo essas palavras depois de ter acabado, há pouco, de assistir aos primeiros capítulos da novela na internet (bendita internet que me permite fazer diletantismo nas madrugadas insones!).

Talvez os menos atentos não percebam, mas “Império” é um remake de “Suave veneno”, novela que Silva escreveu em 1999. Eu – que não nego nem nunca neguei a ninguém que sou noveleiro desde menino – percebi de imediato. Há mudanças aqui e ali e introdução de novas tramas, mas o argumento principal está mantido: a chegada da filha bastarda ao cotidiano do pai rico e poderoso que desconhece sua existência (a da filha bastarda) e tenta, em vão, manter de pé a família – a mulher e três filhos – dividida pela disputa de um “império” e por ressentimentos. Em “Suave veneno”, tratava-se de um “império de mármore” pertencente a Valdomiro (José Wilker) – cuja personalidade era igual à do Comendador de “Império” – e disputado por três filhas (entre as quais, destacava-se a ambiciosa e inescrupulosa Maria Regina (Letícia Spiller em interpretação memorável), à qual corresponde o personagem de Caio Balt novela atual). A esposa de família quatrocentona que abrira, ao “rei do mármore”, as portas da high society e lhe conferira glamour era vivida por Irene Ravache. Já a filha bastarda, Clarice, heroína da história, era interpretada por Patrícia França.

“Império” é “Suave veneno” contada de uma maneira bem melhor. E isso mostra que o ficcionista de talento não se restringe a ser criativo: sabe reconhecer quando a história que criou pode ser contada de uma forma melhor, ou seja, de modo que envolva a audiência ou lhe provoque. Não basta uma boa história: é preciso saber contá-la! Mas embora eu reconheça que “Império” seja mais envolvente que “Suave veneno” por ter a intriga adequada, eu sinto falta, em Cristina, de um pouco da ambigüidade que tinha Clarice. Leandra Leal é uma atriz de raro talento e carismática. Sua Cristina já me conquistou e ao restante da audiência. Mas imagina se existisse, nela, um pouco daquele misto de vingança e justiça que movia Clarice e que Patrícia França interpretava com maestria? E o imperador de Alexandre Nero – talvez pela combinação de seu inegável talento, sua idade e a responsabilidade de protagonizar uma novela pela primeira vez – é mais verossímel e tem nuances (inclusive humor e sex appeal) que o interpretado por Wilker não tinha.

“Império”cresce em relação a “Suave veneno” em outra mudança: o gay suburbano afeminado, ético e generoso, vivido por Diogo Vilela, e seu fiel escudeiro interpretado por Luís Carlos Tourinho dão lugar à travesti vivida por Ailton Graça e sua amiga manicure interpretada por Viviane Araújo. Há, nessa mudança, um desafio político: fazer com que a audiência se identifique com uma personagem que carrega, sobrepostos ou articulados, três estigmas que, na vida real, fazem,dos estigmatizados, vítimas frequente de ódio, discriminação e violência: a negritude, a homossexualidade e a transexualidade.

Mas a nova novela de Aguinaldo Silva cresce mesmo é no que traz de novo. Não me refiro à humorada prestação de serviços sexuais que Tuane (Nanda Costa mostrando que veio mesmo para compor a constelação de estrelas lindas, sensuais e, ao mesmo tempo, muito talentosas) faz a Reginaldo (Flávio Galvão) nem à exploração sexual de que é vítima Maria Ísis (Marina Ruy Barbosa) por parte da própria família – tramas de resto interessantes por provocar a moral hipócrita de muita gente que discrimina prostitutas assumidas. Refiro-me ao embate entre os personagens de José Mayer e Paulo Betti. O primeiro, Claudio Bolgari, é um homossexual enrustido e no armário; casado com uma mulher que lhe deseja e respeita e pai de um filho que lhe tem como referência, Bolgari desfruta dos prazeres da homosexualidade no armário, numa gestão esquizofrênica e carregada de culpa da própria vida. O segundo, Téo, é um gay assumidíssimo e orgulhoso de sua homossexualidade, mas maledicente em relação à vida privada alheia. Já nos primeiros diálogos entre esses personagens, fica evidente que estaremos diante de um debate que não está resolvido nem mesmo na própria comunidade LGBT: num ambiente em que homossexuais não são só desqualificados, mas vítimas de violência dura, há lugar para um “direito ao armário”?

A parte da militância LGBT que implica (não sem razão) com as declarações provocativas de Aguinaldo Silva à imprensa de celebridades poderia prestar mais atenção ao que ele está dizendo em sua trama (e ainda no que ele já disse em tramas anteriores). Silva pode ter abandonado formalmente a militância tradicional, mas jamais deixou de prestar atenção nos conflitos e transformações da comunidade da qual faz parte nem de contribuir para uma mudança do olhar das maiorias sobre essa comunidade. Nesse sentido, “Império” é um suave veneno anti-monotonia. E vale a pena acompanhá-la.

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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014 Sem categoria | 17:30

Amor à coerência! Faço desse texto uma campanha: #BeijaFelix

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(Para não dizer que não falei do beijo gay de Félix)

Para o bem das lésbicas e dos gays, os autores de telenovela, principalmente os da tevê Globo, há muito vêm se esforçando para mostrar, em suas tramas, novas representações da homossexualidade – o que, ao contrário do que muitos (inclusive ativistas) pensam, contribui bastante para dar visibilidade aos modos de vida lésbicas e gays; questionar preconceitos anti-homossexuais ainda profundamente arraigados em muita gente; derrubar estereótipos negativos e para mostrar, à audiência sempre heterogênea, que homossexuais, além de sujeitos de direitos, são pessoas tão diversas entre si quanto as heterossexuais.

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É impossível não reconhecer que os personagens de Aguinaldo Silva, Gilberto Braga, Sílvio de Abreu, Glória Perez, Manoel Carlos e, mais recentemente, João Emanuel Carneiro e Walcyr Carrasco contribuíram ora para elevar a autoestima de gays e lésbicas, ora para mostrá-los tão diferentes e humanos quanto qualquer outra pessoa.
Contudo, a telenovela do horário nobre ainda nos deve a representação do beijo gay. Eu digo “nos deve” não apenas porque faço parte da comunidade LGBT – parcela significativa da audiência da teledramaturgia brasileira e principal responsável pelo sucesso desta nas redes sociais – mas porque estou me referindo à audiência como um todo: todos nós merecemos a chance de abrir nossos horizontes existenciais; de ampliar nossos repertórios culturais, afinal, o povo sabe o que quer, mas o povo também quer o que não sabe! E as emissoras de tevê têm a obrigação de honrar seu compromisso com a educação informal das pessoas e é com a representação da diversidade da vida, já que têm a nossa concessão para explorar comercialmente o sinal e também algumas isenções fiscais.

A novela do horário nobre nos deve um beijo gay e apaixonado, ou seja, cheio de amor (Divulgação/TV Globo)

A novela do horário nobre nos deve um beijo gay e apaixonado, ou seja, cheio de amor (Divulgação/TV Globo)

A novela do horário nobre nos deve um beijo gay e apaixonado, ou seja, cheio de amor… De todas as nossas invenções, o amor é a melhor delas. O amor é fogo. O amor é jogo. O amor está em muitos lugares: quartos de hotéis, noites enluaradas, bares vazios, campos de flores, cidades em movimento, e desertos: o amor tem muitos domínios e, destes, nos espreita. O amor, enfim, é ambivalente: tem muitas fases (e faces). O amor, portanto, não quer ser clichê. E o amor não é nem quer ser apenas heterossexual!

Walcyr Carrasco batizou sua primeira novela no horário nobre de “Amor à vida”. Portanto este sentimento multi-facetado e complexo e seus objetos são – ou, pelo menos, deveriam ser – o mote do folhetim (e é claro que uma trama que tem o amor como fio condutor não pode prescindir de seu reverso da medalha: o ódio ou o desamor). Carrasco escolheu o amor como meio de redenção de Félix, o sujeito homossexual malvado e duro (porém cheio de humor-bicha) por ser objeto do desamor do pai homofóbico. Ora, numa trama em que o amor por um namorado ético e solidário redime um homossexual vilão, o beijo entre eles não pode faltar! Se faltar, sobrará incoerência!

Leia também: Ricardo Linhares, autor da Globo, fala de beijo gay e de sua homossexualidade

A teledramaturgia já avançou o suficiente para que o beijo gay seja exibido. As cenas de afeto entre Félix e Nico já são uma vitória, é certo, mas falta o beijo. É preciso exibi-lo no último capítulo. Do contrário, a oportunidade cairá de maduro e a Globo terá perdido o trem da história. A comunidade LGBT, ante os avanços das séries e do cinema americanos, não terá paciência para ser mais uma vez manipulada com a promessa de um beijo que, ao fim e ao cabo, não será cumprida, mas que rende dividendos à emissora. Quem representa, sem problemas, os sentimentos e ações mais vis e torpes dos humanos se recusa a representar um ato de amor por que motivo?

Por isso, faço, desse texto, também uma campanha: #BeijaFelix . Se você concorda com ela, passe-a adiante!

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terça-feira, 16 de julho de 2013 Sem categoria | 18:19

O elogio da mentira (se já não for o da loucura)

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"A pior das loucuras é, sem dúvida, pretender ser sensato num mundo de doidos" (Erasmo de Roterdã, 1469-1536)

Ontem, depois que divulguei, em meu perfil no Twitter, a matéria do Estadão sobre a oração e o choro da presidenta Dilma em companhia do pastor, senador e ministro Crivella, da bispa Sonia e das “personalidades gospel” Damares e Mara Maravilha; no rastro dessa divulgação, notei que alguns dos perfis que eu sigo começaram a divulgar o link de uma matéria sobre um “pastor ex-gay” de Rondônia que, numa “recaída”, teria trocado a esposa pelo cunhado…

Ora, qualquer um que, tendo apenas dois neurônios (Tico e Teco), pusesse-os em sinapse; qualquer pessoa mais atenta; qualquer cidadão minimamente inteligente que se dispusesse a ler, com atenção, os dois primeiros parágrafos da tal matéria veria que se tratava de uma notícia falsa; de uma ficção ruim ou, com muita boa vontade, irônica. Sendo assim, por que perfis de pessoas que considero inteligentes e sensatas passaram adiante essa mentira? Terá sido a prática cada dia mais comum nas redes sociais de se passar adiante matérias e vídeos depois da leitura apenas dos títulos dos mesmos? Ou terá sido “em nome da causa” já que a matéria fictícia debocha da “cura gay”? Se foi “em nome da causa”, essas pessoas não poderiam prestar maior desserviço à mesma…

Desde quando o recurso à mentira e à desinformação legitima a causa justa de LGBTs ou qualquer outra causa nobre? Se recorremos às práticas antiéticas, imorais e criminosas de nossos inimigos, o que no distingue deles? Quero crer que os perfis que divulgaram a falsa notícia o fizeram devido ao hábito nas redes de se passar adiante o que se lê mal e porcamente e por conta da cada vez maior confusão entre mentira e verdade na internet.

Não há um dia sequer sem que um novo conteúdo não coloque em questão a confiabilidade, a precisão e a verdade da informação na internet. Sei que a imprensa tradicional (jornais, revistas e telejornais) já recorreu e ainda recorre à manipulação e distorção de informações em função de seus interesses econômicos e políticos, mas essa imprensa é tão e sempre “tanta gente” que a convivência e a interação real nas redações põem alguns freios à manipulação e exigem um mínimo respeito à ética…

Sem esses “filtros” ou instâncias de controle da qualidade da informação próprios das redações de jornais, telejornais e revistas – repórteres verificadores de fatos, profissionais dedicados à apuração de dados e editores – para monitorar o que está sendo postado em muitos blogs, sites, Youtube ou nas redes sociais (Facebook em especial), como medir ou atestar a confiabilidade ou a credibilidade do conteúdo que lemos ou assistimos na internet?

Não é pequeno o número de usuários das redes sociais que não fazem distinção entre verdade e ficção, conteúdo genuíno ou publicidade disfarçada, informação legítima ou fraude completa. As pessoas não só consomem campanhas difamatórias e flagrantes distorções da verdade como as compartilham entre seus amigos (no Facebook) e/ou seguidores (no Twitter) ou as enviam para sua lista de emails…

Eu recebi – não somente de analfabetos funcionais ou de gente sem traquejo com a internet, mas também de pessoas que se consideram “espertas”, “inteligentes” e “politizadas” – pedidos “indignados” via Facebook e por email para que compartilhasse “notícias” que eram tão aparentemente “verdadeiras” quanto uma nota de R$ 4: uma delas diz que a Suzane Richthofen, aquela moça cúmplice do assassinato dos próprios pais, tornara-se pastora e foi “nomeada presidente da Comissão de Seguridade Social e Família”; a outra “notícia” diz que “bolsa prostituição” foi “aprovada na Comissão de Constituição e Justiça”. Óbvio que que não compartilhei essas mentiras! Se depender de mim, corrente de estupidez é quebrada logo, pois, não sou elo da burrice ou da má fé. Mas me espantou a quantidade de gente que se prestou a passar essas mentiras adiante e a elogiá-las – inclusive gente que faz alguma idéia do que seja uma comissão parlamentar e de como se dá seu processo eleitoral!

Eu mesmo tenho sido vítima freqüente dessas correntes de estupidez. Qualquer criminoso que pegue uma foto minha e coloque, ao lado dela, uma frase que eu nunca disse ou que jamais diria sempre encontra, por mais grosseira que seja sua peça difamatória, uma manada disposta a acreditar na mentira e a compartilhá-la. Foi assim com a peça que atribui, a mim, uma ofensa à Bíblia e aos cristãos; e com aquela outra que se afirma que elogiei a pedofilia em entrevista à CBN. Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência e atenção pode notar que se trata de difamação, porém, as fronteiras entre verdades e mentiras estão tão borradas na internet que a cantora Alcione e o escritor Waldemar Falcão me ligaram para saber se aquilo era verdade. Eles ao menos me ligaram. Houve os que não se dignaram a fazer isso e passaram a mentira adiante. E houve os de má fé, que, mesmo intuindo que se tratava de mentiras, compartilharam-nas porque me odeiam pelo fato de eu ser gay.

A última tentativa de me difamar nas redes sociais recorre à distorção de uma resposta que dei à pergunta do apresentador Marcelo Tas sobre se eu achava o salário de um deputado abusivo. Nessa resposta, eu me referi claramente a mim, à minha experiência como professor universitário, ao meu volume de trabalho como deputado e à minha formação, como explico neste texto . Mas adiantou? Quando há os estouros de boiadas ou as correntes de estupidez nas redes sociais, até algumas pessoas que nos pareciam sensatas deixam de prestar atenção no óbvio!

E os vídeos difamatórios disseminados no Youtube? Eles se valem de trechos de entrevistas reais editados de modo a suscitar preconceitos e a aproveitar a ignorância de quem não tem noção de técnicas de manipulação de audiovisual. Sou vítima deles também. Há pelo menos uns cinco circulando nas redes e sob investigação da Polícia Federal. Existem indícios suficientes para eu crer que alguns desses vídeos foram feitos pelas equipes dos deputados Bolsonaro e Feliciano (dois contumazes difamadores que sabem jogar sujo!) e divulgados com a ajuda de Malafaia, tanto que os denunciei à Procuradoria Geral da República. Os vídeos difamadores que praticamente destruíram as vidas da psicóloga Tatiana Lionço, do pastor Marcio Retamero e do professor Cristiano também partiram dessa quadrilha e, por isso, a OAB decidiu denunciá-la.

O Youtube permite a qualquer pessoa – de neonazistas a publicitários, passando por parlamentares sem escrúpulos, decoro ou ética – postar anonimamente vídeos enganosos, fraudulentos, manipuladores e fora de contexto que são compartilhados até por pessoas que consideramos “inteligentes” – o compartilhamento é quase sempre acompanhado de insultos, injúrias e xingamentos!

É o que o especialista em novas tecnologias Andrew Keen chama de “Youtubificação da política”, que, segundo ele, infantiliza o processo político. De fato, nunca vi tanta infantilidade política por parte dos que aderem a essas estratégias de difamação e elogios da mentira. Não me espanta que o ídolo maior dessa galera seja um mau palhaço com voz de criança que se compraz também em ser um palhaço do mal!

Se, por um lado, a internet democratiza a informação e amplia, de fato, a interatividade das pessoas com as mídias de massa (rádio, cinema e tevê), estendendo a cidadania, por outro, infelizmente, ela vem criando – principalmente contra as “figuras públicas” – a cultura da difamação inconseqüente e/ou ressentida.

É o “dilúvio de informação” de que fala o filósofo Pierre Levy – e contra esse dilúvio, sugere o francês, só nos resta construir uma arca segura, ou, nas palavras, de Gilberto Gil, “uma jangada, um barco que veleje” pelo lixo da “infomaré”.

Construir a jangada é evitar o elogio da mentira para não cairmos no elogio da loucura!

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quarta-feira, 19 de junho de 2013 Sem categoria | 18:37

É hora do Congresso se posicionar!

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Hoje foi um dia especial para a nossa luta pela igualdade constitucional tão proclamada, porém tão negada: o direito legal ao Casamento Igualitário. Fomos aos corredores, acompanhados por parlamentares parceiros e militantes (com Ellen Oléria abrilhantando o nosso dia) para coletar as 171 assinaturas necessárias para protocolar a Proposta de Emenda Constitucional que finalmente obrigará o Congresso Nacional a se posicionar sobre o tema, dando fim a tanto tempo de omissão.

Ainda que o casamento igualitário esteja garantido no âmbito do Judiciário, mesmo com a jurisprudência e que a regulamentação do CNJ para os cartórios tenha efeito em toda a administração pública, é preciso continuar a batalha pela legalização do casamento, ou seja, para que o Congresso Nacional legisle sobre esta matéria, alterando o artigo 226 da Constituição e alterando também o Código Civil, sobretudo no trecho que define o que é casamento.

A batalha não está ganha por vários motivos, e entre eles estão as proposições legislativas que tramitam na Casa para submeter decisões do STF para o Congresso Nacional e outras buscam instituir referendos e plebiscitos. Além de não haver o reconhecimento na lei, ainda querem retirar os direitos garantidos no judiciário.

Lutamos sim pelo direito à vida, mas precisamos mais que isso. Nossa luta é também uma luta de reconhecimento.

Ontem a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de decreto legislativo que derruba uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe as terapias de reversão sexual de homossexuais, uma vitoria do estigma sobre os homossexuais. A CDHM tem legalidade, mas não tem legitimidade, pois as pessoas que compõem a comissão hoje são fundamentalistas religiosas que não estão habilitados para julgar, avaliar ou votar os direitos de uma minoria estigmatizada como a minoria LGBT. Mas não há motivo para maiores euforias, pois o projeto não será aprovado nas demais comissões por qual ainda tramitará!

Deixo aqui meu agradecimento a todos que se dispuseram a participar na construção desta discussão, tanto na audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, quanto em nossa ação de recolhimento de assinaturas, também à Ellen Oléria, que se dispôs a dar uma pausa na agenda para nos ajudar e ao Instituto Sabin, parceiro nesta ação.

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quarta-feira, 29 de maio de 2013 Sem categoria | 09:59

Arnaldo, Brown e Marisa lançam música em apoio à campanha pelo Casamento Igualitário

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O Casamento Civil Igualitário já foi regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça mas ainda falta sua aprovação no Congresso.

O trio fez uma música para sensibilizar os deputados, senadores e a sociedade brasileira em nome da liberdade de amar.

“Joga Arroz”, escute, faça o download e cante conosco.

Clique aqui com o botão direito do mouse e clique em “Salvar link como” para baixar a versão em MP3

Joga Arroz
(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte)

O seu juiz já falou
Que o coração não tem lei
Pode chegar
Pra celebrar
O casamento gay

Joga arroz
Joga arroz
Joga arroz
Em nós dois

Quem vai pegar o buquê
Quem vai pegar o buquê
Maria com Antonieta
Sansão com Bartolomeu
Dalila com Julieta
Alexandre com Romeu

Joga arroz
Joga arroz
Joga arroz
Em nós duas em nós todos
Em nós dois

Escute também nos sites:

www.arnaldoantunes.com.br
www.carlinhosbrown.com.br
www.marisamonte.com.br
http://www.casamentociviligualitario.com.br

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