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Arquivo da Categoria homofobia

quarta-feira, 15 de abril de 2015 Crítica, direitos humanos, homofobia, LGBTs | 20:02

#SomosTodasVerônica: urge que o Congresso Nacional garanta os direitos das pessoas trans

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somostodasveronicaQuando foi aprovada a Lei do Feminicídio, a vitória saiu meio amarga. Uma parte importante das identidades femininas tinha ficado de fora: travestis e mulheres transexuais. Era o Congresso Nacional, com raríssimas exceções, dizendo a essas mulheres que não devem esperar nada deste país, nem o nome, nem a identidade, nem dignidade, nem proteção. Mas acima de tudo, nenhum reconhecimento.

O Brasil está no mapa dos assassinatos de pessoas LGBT em um lugar de destaque: o primeiro, disparado, deixando para trás, por cadáveres de distância, o segundo colocado México. E no topo desta lista estão as travestis e transexuais, que após sofrerem torturas tanto psicológicas quanto físicas; terem suas vidas roubadas com requintes de crueldade; ainda são vilipendiadas pela grande mídia que faz questão de chamá-las por nomes que não são os seus e de ignorar suas identidades femininas. São, em sua maioria, negras e pobres. Nem depois da morte, essas mulheres têm lugar no mundo.

Na Baixada Fluminense, no estado pelo qual fui eleito (RJ), os crimes de ódio motivados pela transfobia mata uma travesti ou transexual por dia. E foi exatamente essa transfobia que matou a travesti Piu, passista da Beija-Flor; que vitimou a travesti Indianara Siqueira na semana passada, quando foi atacada e agredida em um bar no bairro de Botafogo; e é também o que está vivendo Verônica Bolino, torturada, humilhada e exposta pela Polícia Civil de São Paulo, a mesma que deveria proteger seus direitos e sua vida. Quando duas discriminações se chocam, como é o caso de Piu e de Verônica, ambas trans negras, esse grupo é colocado em uma das mais vulneráveis situações da nossa pirâmide social! Uma pesquisa sobre os direitos das trans negras no Brasil, publicada pela ONG internacional Global Rights, corroba a realidade dessa população, impactada desproporcionalmente por diversas formas de violência física e sexual. Os dados da pesquisa foram apresentados durante uma audiência temática sobre os direitos das pessoas trans negra no Brasil diante na Comissão Inter-Americana de Direitos Humanos. Na época, publiquei sobre este relatório e audiência na CIDH/OEA aqui minha coluna do iGay.

Verônica estava sob a tutela do Estado em uma carceragem de delegacia. O mesmo estado que assinou e ratificou a Convenção Americana sobre Direitos Humanos e a integralidade de seu 5º artigo, a Convenção Interamericana para prevenir e punir a tortura e a Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes das Nações Unidas. Agentes do Estado não podem, em hipótese alguma, violar os direitos de quem está sob sua guarda. Mesmo que Verônica esteja sendo acusada por algum tipo de crime, ela deve ser submetida à Justiça, não à tortura. Tem direito ao devido processo, não à exposição covarde de seu corpo machucado através das fotografias tiradas sadicamente por policiais. Tem direito ao seu nome, sua identidade e à sua dignidade, até para que responda pelos atos que lhe são imputados.

O já medieval sistema carcerário brasileiro tem conseguido superar-se em violações aos direitos de travestis e transexuais privad@s de liberdade. Cabelos raspados, pronomes masculinos, negação de acesso ao tratamento hormonal, vulnerabilização de corpos femininos ao misturá-los à população masculina são apenas o começo. Violência e estupro são cotidianos para boa parte dessas pessoas.

Urge que o Congresso Nacional deixe de se omitir quanto a este assunto. Temos, aqui na Câmara dos Deputados, o PL 5002/2013, que apresentei com a minha amiga Erika Kokay (PT/DF) que garante o direito de toda pessoa ao reconhecimento de sua identidade de gênero, protegendo estas pessoas de diversas situações que criam constrangimento, problemas, negação de direitos fundamentais, constante e desnecessária humilhação, quando não de um ataque à suas integridades físicas.

Já coloquei a minha equipe à disposição da família de Verônica através de contato com sua mãe, e levarei a história de Verônica à Comissão de Direitos Humanos da Câmara, à CPI da Violência contra Jovens Negros e Pobres, à Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher e também à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República para averiguar se, de fato, houve ou não tortura no caso de Verônica e para garantir que o mesmo não aconteça com outras representantes desse segmento tão estigmatizado. Toda violência nos atinge. Nossa indignação pela violação de direitos tão básicos deve abranger a humanidade. Mas temos que prestar especial atenção às pessoas que, pela misoginia social e pela violência institucional, são relegadas a um lugar de abjeção e desumanização.

Somos, nós também, travestis e transexuais. Somos Piu e Indianara. Somos tod@s Verônica!

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segunda-feira, 30 de março de 2015 Cultura, homofobia, LGBTs | 16:57

A homofobia é…

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A homofobia é abjeta, e é até difícil resumi-la em uma única palavra, mas precisamos passar o nosso recado! Que tal escrever em uma folha de papel “Homofobia é…”, completando com o que a homofobia representa para você, tirar uma foto e participar dessa campanha do iGay, portal de conteúdo do iG?

A exposição começa hoje!

Saiba mais aqui: http://igay.ig.com.br/2015-03-30/a-homofobia-e-complete-a-frase-e-participe.html

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terça-feira, 17 de março de 2015 Crítica, homofobia, LGBTs | 18:34

Temi por mim. Temo por nós.

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Rodrigo Mariano, ao voltar do supermercado, foi esfaqueado pelas costas por seu vizinho dentro do prédio onde mora, e quase ficou tetraplégico. O agressor, mesmo tendo sido preso em flagrante, com o ataque registrado em vídeo, já está solto. Segundo ele mesmo, a razão do ataque foi o fato de Rodrigo ser gay.

Como pode uma pessoa que tentou um homicídio qualificado – por motivação torpe – ser liberada mediante pagamento de fiança, sob a alegação de uma simples lesão corporal?

Várias questões se impõem neste momento: como os homossexuais podem se sentir seguros a partir disso? Como pode um delegado conduzir uma clara agressão homofóbica, que ceifa centenas de vidas por ano, de maneira tão superficial? Em que medida essa homofobia institucionalizada, ainda marcante nas investigações criminais, não autoriza ataques semelhantes doravante? Que horror! E pensar que isso pode acontecer com qualquer um de nós…

Diante de tantos e crescentes casos claros de ataques motivados pela homofobia, qual seria a conduta mais justa do delgado e das instituições de proteção da vida?

Sem palavras, eu deixo com vocês o relato de Rodrigo Mariano. Entrei em contato com Rodrigo e coloquei minha equipe jurídica à sua disposição. Acompanharei de perto o caso e cobrarei do delegado para que esta TENTATIVA DE HOMICÍDIO não fique impune. Também levarei essa denúncia à Comissão de Direitos Humanos e Minorias e à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República para que possam avaliar proteção à vítima.

“No mês de novembro de 2014 depois de varias ofensas de sua homofobia realizada pelo meu vizinho, que todas as vezes me ofendia e me chamava sempre de viadinho, e outros termos pejorativos, por não aguentar mais insultos acabei reagindo a estas agressões verbais. Depois deste episódio nunca mais se falamos sentia sempre seu olhar com ódio e temor contra a minha pessoa, mas em acreditar cada um na sua fui vivendo minha vida . Nesta terça feira dia 10 de março de 2015., onde este cidadão Wanderson estava na frente ao playgrond . Ele olhou feio pra mim mas não falou e não fez nada. Fui no mercado, fiz as minhas compras. Quando eu voltei estavam ele e a esposa em frente a entrada do meu prédio. Conforme eu caminhava sentido eles para entrar no prédio eu ouvi a esposa dele dizendo “tem certeza q é isso que vc quer fazer”? Ele respondeu: “sim”. Aí a esposa (Adriana) disse “então faça”. Nisso eu já havia entrado no prédio e estava em frente ao elevador qd eu sinto uma coronhada no meu pescoço. Ele me pegou pelas costas com uma faca d açougueiro d +/- 30 cm e me deu uma machadada q pegou no meu pescoço e coluna. O corte foi profundo e trincou o osso da coluna. Eu caí no chão sem forças pra correr. Nisso ele disse “Isso é pra você aprender a não olhar na cara de um homem de verdade e agora você vai morrer VIADO”. Eu gritei desesperadamente por socorro e o Zelador (Mário) correu e segurou o Wanderson. Depois disso eu fui rastejando até o meu apt onde o meu amigo me socorreu. Ele ligou pro SAMU e pra polícia. O agressor foi preso em flagrante, porém foi liberado pela polícia no outro dia após pagamento de fiança. E desde então eu estou no hospital.”

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015 Crítica, direitos humanos, homofobia, LGBTs | 12:15

A pele que habito – #visibilidadetrans

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Algumas pessoas vêm ao mundo habitando uma pele que não lhes cabe, o que, em muitos casos, pode causar muita dor, angústia e sofrimento. Se alguém de vocês já assistiu ao filme A Pele que Habito, do cineasta Pedro Almodóvar, entenderá o que estou falando: esse filme faz uma alegoria dessa pele que a natureza nos deu, folgada ou apertada demais. A pele é, no filme, a metáfora das identidades sexuais ou de gênero, impostas, sentidas ou reinventadas. Não é raro ouvirmos de pessoas trans um depoimento muito próximo disto – “nasci na pele errada”. Não por acaso, muitas delas buscam cirurgias de transgenitalização (mudança de sexo) para adequar o seu corpo (a sua pele) ao seu eu interior.

Para negar o direito às pessoas trans, muit@s alegam que não devemos subverter o corpo que a natureza nos deu enquanto esquecem que as pessoas estão mexendo em seus corpos o tempo inteiro para que se sintam bem consigo mesmas. É curioso que aquel@s que se levantam estejam permanentemente recorrendo a esse tipo de coisas, sejam aqueles que recorrem ao aparelho ortodôntico para corrigir os dentes tortos que a natureza lhe deu, sejam aqueles que recorrem à lente de contato para corrigir a miopia que a natureza lhes deu, seja a mulher que se utiliza do silicone para ter o seio que deseja, que é diferente daquele que a natureza lhe deu…

Atualmente, as mulheres e os homens trans que necessitam da cirurgia de transgenitalização esperam numa fila de anos; apenas cinco hospitais brasileiros estão credenciados para realizar cirurgias de transgenitalização: o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, o Instituto de Psiquiatria da Fundação Faculdade de Medicina de São Paulo, o Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e, recentemente, o Ministério da Saúde habilitou o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O Projeto de Lei João Nery (PL 5002/2013), que leva este nome em homenagem ao primeiro transhomem operado no Brasil (foto), autor do livro Viajem Solitária, regulamenta as intervenções cirúrgicas e os tratamentos hormonais que se realizam como parte do processo transgenitalização, garantindo a livre determinação das pessoas sobre seus corpos. Uma realidade proporcionada por portarias do SUS que será transformada em lei, através de uma série de critérios fundamentais para seu exercício, como a despatologização, o direito à identidade de gênero sem a obrigatoriedade de cirurgias, a independência entre os tratamentos hormonais e as cirurgias; a gratuidade no sistema público (SUS), a cobertura nos planos de saúde particulares e o fim da judicialização dos procedimentos e da estigmatização das identidades trans.

Leia mais sobre o PL 5002/2013 de minha autoria e da deputada Erika Kokay (PT-DF), aqui: http://goo.gl/R94l3H

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015 direitos humanos, homofobia, LGBTs | 00:07

Não há limites para o charlatanismo!

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Vejam, em sua essência, o charlatanismo de fundamentalistas religiosos, empresários da fé, que fazem de tudo para iludir, enganar e, acima de tudo, lucrar em cima de seus fieis: Recebi, há pouco, um flyer virtual de um curso de cinco dias que está acontecendo esta semana no Distrito Federal que promete curar o “homossexualismo[sic]: ajudando, biblicamente, a prevenir e tratar aqueles que desejam voltar ao padrão de Deus para sua sexualidade”, segundo a propaganda. Airton Williams, teólogo, e Claudemiro Soares, especialista em Políticas Públicas e Mestre em Saúde, são os charlatões da vez, que oferecem a cura para os seus “problemas”; um portal mágico para entrar nas normas da sociedade (ou seja, desenvolver o desejo heterossexual). E tudo isso em menos de uma semana. E pela bagatela de R$ 120. Sim, porque ser “normal” tem seu custo…

O que não sabem Airton, Claudemiro e os demais charlatões que oferecem essas “terapias de reversão da homossexualidade” – repudiadas unanimemente pela comunidade científica internacional – é que o “custo” desta oferta mentira criminosa vai muito além. Para alguns adolescentes e jovens que são obrigados, muitas vezes pela própria família, a tentar mudar o que não pode ser mudado, o “custo” é a própria vida. Muitos, quando não acabam com graves transtornos psíquicos, se suicidam (quem não se lembra do trágico fim do Jô em Saulo de Assis Lima, de 23 anos, que se jogou, depois de quase nove horas ameaçando, do alto de uma torre na cidade de Porto Velho porque a família – evangélica – não aceitava sua homossexualidade).

Por convicções puramente religiosas, esses charlatões se consideram no direito não só de ir contra os direitos humanos de milhões de cidadãos e cidadãs brasileiras, mas também de desconstruir um ponto pacífico entre toda uma comunidade científica: nem a homossexualidade, nem a heterossexualidade, e nem a bissexualidade são doenças, e sim uma forma natural de desenvolvimento sexual. Para se ter uma ideia, nos EUA, Darlene Bogle, ex-liderança de um dos mais conhecidos grupos que dizem “curar” a homossexualidade, o Exodus, veio a publico pedir perdão por seus crimes alguns anos atrás, assumindo em coletiva de imprensa a farsa que são estas terapias.

Essas e esses charlatões, além de estarem agindo no vácuo da legalidade, uma vez que o Conselho Federal de Medicina (órgão que possui atribuições constitucionais de fiscalização e normatização da prática médica) não reconhece esse tratamento, estão fazendo justamente o contrário do que o tratamento se propõe a fazer. É claro que existem LGBTs em sofrimento psíquico que se expressa numa culpa de ser homossexual; e é claro que estas pessoas merecem ser ajudadas, mas o que nós precisamos fazer é perguntar o porquê desse sofrimento. Nós vivemos numa cultura homofóbica e desde muito cedo nós LGBTs ouvimos esses preconceitos que se expressam através do insulto, da injúria, da caricatura coletiva, do estereótipo e de todas as formas discursivas que colocam a homossexualidade como subalterna; como os discursos religioso, familiar e o escolar. Só há uma maneira de se livrar desse sofrimento e culpa causado pela cultura homofóbica que produz e reproduz os preconceitos sociais anti-homossexual, e esta é sair da vergonha para o orgulho, assumindo sua homossexualidade contra tudo e contra tod@s, e colocar o seu “eu” em sintonia com o seu desejo. Não negar o desejo.

A confusão que há na sociedade em relação a uma possível “cura gay” – incitada por esse fundamentalismo religioso – é preocupante e precisa ser esclarecida antes que a saúde física e psíquica de mais jovens seja afetada. Apresentarei uma representação criminal perante o Ministério Público do DF, mas o próprio Ministério, além do Ministério da Saúde e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República precisam se posicionar (e logo!) sobre essas práticas que não só representam um perigo para a saúde pública, como também uma grave violação dos direitos humanos e da laicidade garantida pela Constituição Brasileira.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015 direitos humanos, Documentário, homofobia | 17:06

As flores vencerão os canhões!

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novaiguacu-bar-policiaO dono de um bar “badalado” na região “nobre” da cidade de Nova Iguaçu ficou “ofendido” com um beijo entre dois rapazes na frente do bar dele, foi repreendê-los e simplesmente SACOU UM REVÓLVER NA FRENTE DE DEZENAS DE TESTEMUNHAS e apontou a arma para o peito de Vinícius Ribeiro, de 20 anos, e ameaçou disparar à queima roupa.

Não consigo nem começar a descrever o horror dessa imagem. Então estamos vivendo em um mundo onde se cala um beijo, uma manifestação de afeto, com uma arma?

O preconceito nos desumaniza e desumaniza o outro; mata, cotidianamente, com desprezo, com negação e com balas. A violência dura contra as pessoas LGBTs – as lesões corporais e os assassinatos – ainda é enorme. No Brasil, em 2014, segundo relatório do Grupo Gay da Bahia divulgado essa semana, foram cerca de 326 LGBTs assassinados por serem LGBTs, quase um assassinato a cada 27 horas. São números alarmantes. Essa violência dura é a expressão letal da injúria e difamação que são cotidianas e as principais violências que se abatem sobre LGBTs. Felizmente, Vinícius escapou de ser vítima da violência dura, mas carrega em si a dor da violência simbólica.

No Rio de Janeiro, estado pelo qual fui eleito, essa violência que atinge a população LGBT (sim, porque enquanto estamos todas e todos sujeitos à violência urbana que pode atingir qualquer um de nós, há uma violência que atinge somente a população LGBT) tem seu maior índice – fora a capital – na Baixada. Segundo relatórios de atendimento do Centro de Cidadania LGBT do RJ, em 2013 foram realizados 4.872 atendimentos, onde 25% das pessoas atendidas foram vítimas de violência homofóbica. Desse total de atendimentos em todo o Estado, 1646 foram realizados na Baixada Fluminense. Na Baixada, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo e Nova Iguaçu lideram os atendimentos, onde as agressões físicas a LGBTs respondem por 37 (24%) e as agressões verbais por 51 (33%) casos atendidos.

A Baixada Fluminense, segundo dados do Instituto de Secretaria de Segurança Pública de 2013, também lidera a taxa de homicídios no RJ com um aumento de 25% em relação a 2012.  Foram 4.761 homicídios dolosos em todo o Estado, dos 1.728 aconteceram na Baixada. O percentual é quase o mesmo das tentativas de homicídios, que subiram 26% entre 2012 e 2013 na região.  Esse aumento significativo da violência na Baixada, já apontado por especialistas no fato do governo estadual focar as políticas de segurança pública na capital, também reflete, como mostram os números, na violência específica que se abate sobre a população LGBT.

Estava previsto para o mês de Julho de 2013  a inauguração do Centro de Cidadania LGBT Baixada II, com sede na cidade de Nova Iguaçu, mas de acordo com informações da Superintendência de Direitos Individuais Coletivos e Difusos da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Governo do Estado do RJ (SuperDir/Seasdh), o Centro LGBT em Nova Iguaçu não foi instalado por falta de verba do governo estadual. Sei do imenso esforço realizado por toda a equipe da SuperDir/Seasdh para ampliar a garantia de direitos e proteção das pessoas LGBT do RJ, mas também é preciso vontade política do Governo Estadual e das prefeituras em produzir políticas públicas eficazes sem se tornarem reféns dos políticos fundamentalistas religiosos que cada vez mais estão tomando de assalto as Câmaras de Vereadores e as Assembleias Legislativas do país e impedindo a extensão da cidadania para a população LGBT.

A nossa bancada fluminense do PSOL cresceu e vamos pressionar o governo estadual por mais atenção na defesa dos direitos humanos de tod@s, em especial das minorias marginalizadas; e continuaremos fazendo o enfrentamento no parlamento para garantir políticas públicas e ferramentas legais de proteção contra todas as formas de discriminação, além de promover a educação para o respeito à diversidade. Mas isso não basta! Os Estados e Municípios também devem fazer a sua parte.

Neste momento, frente a isso, nos resta recuperar nossa humanidade distribuindo mais amor e mais beijos! Com certeza, as flores vencerão os canhões!

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sexta-feira, 26 de setembro de 2014 CDHM, Crítica, direitos humanos, homofobia, LGBTs | 00:43

Notícias sobre a agressão ao fotógrafo Zé Britto

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Hoje noticiamos aqui, mais cedo, a agressão sofrida pelo fotógrafo Zé Britto no meio de uma rua do Catete, no Rio de Janeiro. Britto, que fotografava grafites para uma exposição, levou uma surra com uma vassoura em meio a berros de “viado”. Claro, o fato de Britto ser gay e ser surrado sob o cântico de “viado” não configura nenhuma agressão homofóbica. E é assim mesmo que os policiais do 10DP, em Botafogo, entenderam. Mesmo com o agressor berrando dentro da delegacia que deveria “enfiar o cabo da vassoura nele, pois ele é viado e ia gostar”, o caso foi registrado apenas como injúria e lesão corporal. Homofobia? Onde?

Britto não foi agredido por ser gay: basicamente é assim que a polícia registra casos de homofobia. Minha assessoria o acompanhou até o IML e depois a uma reunião com a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, que amanhã questionará o registro do crime por parte da polícia, afinal a motivação de ódio da agressão é óbvia demais para ser ignorada pela autoridade policial. Não podemos deixar mais um crime de ódio ser empurrado para debaixo do tapete! Estamos acompanhando o caso de perto e em breve daremos notícias.

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quinta-feira, 25 de setembro de 2014 Crítica, direitos humanos, homofobia, LGBTs | 11:50

São eles que pactuaram com o Diabo

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WaldirDias atrás denunciei aqui que o deputado estadual Édino Fonseca, pastor fundamentalista e homofóbico do PEN (racha do PSC de Feliciano e Everaldo) estava distribuindo uma custosa revista de 24 páginas e um CD com conteúdo homofóbico e medieval, anunciando “os planos do Anticristo” e propondo contra eles um santo remédio: Marina Silva presidenta. A revista (que recebi de uma colaboradora do meu mandato que mora na zona oeste do Rio, área dominada pela máfia das milícias), trazia a foto de Marina junto a Fonseca e outro candidato, Ezequiel Teixeira, e estava sendo distribuída por um exército de “voluntários” das igrejas evangélicas fundamentalistas.

O material era tão bizarro que a campanha de Marina Silva finalmente soltou uma nota de repúdio dizendo que não tinham autorizado sua elaboração e nem concordavam com seu conteúdo. Mas a Marina foi esperta: a nota de repúdio não foi divulgada em seus perfis oficiais, com milhares de fãs, e teve pouca repercussão. Muita menos que os milhares de exemplares da revista homofóbica associada a sua campanha por Fonseca, que a assina com seu CNPJ eleitoral.

Hoje recebi a denúncia de uma moradora de Bento Ribeiro, na zona norte do Rio, que recebeu ONTEM um exemplar da revista e do CD, que continuam sendo distribuídos!!! Com uma pequena diferença: em vez de Fonseca e Teixeira, nesse bairro a revista traz as candidaturas de Fonseca e Pedregal, candidato de outra legenda de aluguel: o PHS. E Marina Silva, de novo!

Lembremos: a revista denuncia “os planos do anticristo”, e enumera: “eutanásia, mercado do feto, prostituição de menores, carícias de homossexuais em lugares sagrados…”, etc. Misturando discurso religioso com uma linha argumental que lembra a propaganda nazista contra os judeus (no caso, em vez dos judeus, o “inimigo” apontado está composto por homossexuais, prostitutas, ateus, comunistas, “abortistas”, usuários de drogas e o governo Dilma), a publicação descreve uma conspiração satânica internacional para a criação de uma “nova ordem mundial” que pretende “se rebelar contra Deus”.

Marina Silva soltará outra nota sem divulgá-la em seus perfis, deixando que essa propaganda criminosa continue nas ruas, sem fazer nada concreto para impedir que sua imagem seja usada para dar legitimidade a essa porcaria?

Enquanto escrevia esse texto, meu companheiro Waldir, ativista gay, enfermeiro e candidato a deputado federal pelo Psol no estado do Amapá (seu número, como o meu no Rio, é 5005) me ligou para avisar que foi vítima de uma agressão homofóbica enquanto fazia campanha. Jogaram uma pedra nele, sagrou bastante mas, felizmente, não teve ferimentos graves. Dias atrás tinha recebido uma ameaça anônima: “Vamos acabar com você: 5005 paus no seu cu”. Ele está indo agora para a delegacia. A pedra, segundo me contou, veio de um carro identificado com adesivos da campanha de Lucas Barreto, candidato a governador. Chegou-me também o caso do fotógrafo Zé Britto, agredido nesta última noite na Zona Sul do Rio com um cabo de vassoura enquanto exercia o seu trabalho. A agressão foi gratuita. Só por ele ser gay mesmo. Ele é franzino. Diabético. Trabalhador.

Alguém perguntará o que tem a ver o panfleto homofóbico de Fonseca com a agressão contra Waldir. Diretamente, os fatos não estão relacionados. Mas cada pedra jogada contra um veado no Amapá, cada lâmpada quebrada na cabeça de uma bicha na Av. Paulista, cada travesti espancada até a morte, cada lésbica agredida num lugar público, cada agressão física contra um de nós começa a nascer de um discurso do pastor MALA-FAIA, de um panfleto de Édino Fonseca, de uma fala do deputado viúva da ditadura, de uma pregação de ódio homofóbico no templo ou na igreja, de um/a governante ou candidato/a que sobe no palanque dos vendilhões do templo e cala a boca diante do preconceito e o ódio contra nós,  LGBTs, em troca de votos ou tempo de TV.

Cada cara molhada com sangue como a de Waldir é o retrato que os políticos e pastores que lucram com a homofobia, a lesbofobia e a transfobia deveriam olhar para enxergar o que realmente são. Porque, como disse aquele escritor veado no romance “O Retrato de Dorian Gray”, são eles que pactuaram com o Diabo.

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sexta-feira, 18 de julho de 2014 Cultura, homofobia, LGBTs | 01:00

Em defesa da construção e proteção de todas as famílias brasileiras!

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Bss0SVoIEAAn0dvQuem me acompanha por aqui sabe que eu adoro, acompanho e comento telenovelas, sempre que tenho um tempo livre no meu trabalho parlamentar, porque, para além do meu entretenimento pessoal, eu considero a telenovela essencial para o entendimento da mentalidade do povo brasileiro e seus desdobramentos políticos e para a disputa dos corações e da mente dos brasileiros e das brasileiras no sentido de (re)construir uma mentalidade caracterizada pelo respeito à dignidade humana de todos e todas, a despeito de suas diferenças e identificações.

Na reta final de “Amor À Vida”, fui tomado pela emoção de ter presenciado – e contribuído de certo forma com – a exibição do primeiro beijo entre casais do mesmo sexo na novela do horário nobre da TV Globo – emissora que se especializou na produção destas, convertendo-as em carro-chefe de sua programação e em seu principal produto de exportação.

Agora, nos capítulos finais de “Em família”, a emoção é diferente, mas tão importante quanto a anterior: presenciar a exibição do primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo ( as personagens Clara e Marina) no capítulo da última quarta-feira na novela, com direito a um beijo mais prolongado que o de “Amor à vida” e aplaudido pela maioria dos outros personagens. A cena foi ao ar pouco mais de um ano após a regulamentação, por parte do CNJ, do casamento igualitário em todo o país – regulamentação provocada pelo meu mandato em parceria com a Arpen-RJ, como parte da campanha ‘Eu sou a favor do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo’, que toco desde que assumi as funções de deputado federal.

Como noveleiro assumido, a emoção que sinto agora é diferente porque não só eu, mas todos e todas que fizeram e fazem, aqui, no mundo real, a sua parte pela igualdade de direitos em nosso país, ajudamos a construir o futuro de Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) na ficção. Contudo, isso não põe fim à batalha. É preciso que o direito ao casamento civil igualitário seja reconhecido em lei. O Congresso Nacional tem que se posicionar e deixar de ignorar e invisibilizar a realidade vivida por milhares de brasileiros e brasileiras.

Os novos arranjos familiares já formam a maioria no Brasil, com 50,1%, segundo o Censo Demográfico do IBGE realizado em 2010, para desespero daqueles que insistem em suas fantasias de que a família tida como tradicional é tão frágil que se destrói com o reconhecimento e garantia de direitos para os outros tipos de família.

Enquanto fundamentalistas religiosos vão na contra-mão da evolução social com suas campanhas de difamação na internet contra todos e todas que lutam por uma sociedade mais justa e igualitária, com seus parlamentares que tentam excluir os novos arranjos familiares em seu projetos de lei e estatutos discriminatórios e segregacionistas, e usam a tribuna do parlamento para atacar o amor com seu ódio, enquanto isso, o folhetim do horário nobre estampa o amor entre duas mulheres que, mais uma vez, como no caso de Félix e Nico, assumiram o posto de casal protagonista da trama, dominando os trending topics do Twitter e o número de visualizações dos vídeos mais acessados no site da novela.

Parabéns Manoel Carlos, Giovanna, Tainá e toda a equipe por representarem o amor e o direito de sermos felizes e protegidos pelo Estado, independentemente de como são nossos arranjos familiares. Um viva a todas as famílias brasileiras!

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terça-feira, 1 de julho de 2014 Crítica, direitos humanos, homofobia, LGBTs | 21:18

O fundamentalismo não é uma prerrogativa apenas do islamismo

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Foto: Denis Henrique/G1

Em datas recentes e muito próximas, quatro episódios nos chocaram (pelo menos a nós que respeitamos as diferenças religiosas, étnicas, sexuais e de gênero e a diversidade cultural resultante delas). Na cidade mineira de Montes Claros, Ítalo Ferreira da Silva, membro de uma seita cristã neopentecostal, foi preso após destruir sete imagens sacras numa igreja católica. Na Baixada Fluminense, o “barracão” da ialorixá Mãe Conceição de Lissá foi incendiado no mesmo dia em que o muro do babalorixá Germano Marino amanheceu pichado com os dizeres “Vamos matar os gays” e “Deus abomina os gays”. Na semana anterior, um delegado da região comentou em uma matéria sobre o dia dos namorados que o casal retratado na matéria deveria “apanhar de cipó” por assumir a relação homoafetiva. Tudo isso enquanto um pastor faz campanha por boicote a “Em Família”, novela que ousa retratar o amor entre duas mulheres.

Não se iludam que esses sejam casos isolados, sem relação entre si. Muito menos que correspondam a agonias privadas. Os quatro episódios citados acima são expressões do fundamentalismo cristão e o têm como causa.

Por mais incômodo que essa expressão – “fundamentalismo cristão” – possa trazer a outros (arrisco dizer à maioria dos) cristãos brasileiros, que não querem ser confundidos com fundamentalistas (e não devem mesmo ser confundidos!), a verdade é que, sim, existe, no Brasil, um fundamentalismo cristão. Ao contrário do que sugerem as matérias de telejornais, o fundamentalismo não é uma prerrogativa apenas do islamismo!

Toda religião se fundamenta em um conjunto de narrativas, codificado ou não. Quando um religioso lê ou toma esse conjunto de narrativas como verdades absolutas a serem impostas a todas as pessoas, dizemos que ele é um fundamentalista. Nem todo cristão ou muçulmano ou judeu é fundamentalista, mas alguns cristãos, muçulmanos ou judeus o são.

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Foto: CCIR-RJ

No caso do fundamentalismo cristão à moda brasileira, este se materializa na difamação e perseguição sistemática da comunidade
LGBT e de outras religiões, sobretudo as chamada “de matriz africana” (a Umbanda e o Candomblé), já que, em relação a estas, ainda há um viés racista por serem religiões “de negros”.

O sinal de alerta se acende ao observar os detalhes do primeiro dos quatro episódios citados: suspeita-se que Ítalo não goze de boa saúde mental e de que teria sido por conta disto que ele teria repetido o famoso ato de um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus que investiu contra imagem sacra em rede nacional de televisão. Quando um pastor defende publicamente que pessoas merecem punição física pelo seu pecado, quem garante que uma ovelha em sua doença mental não vá, de fato, executar o “julgamento divino”?

O proselitismo fundamentalista tem saído dos púlpitos e vigorado nas redes sociais, mas, antes (e o que é pior!), na política. Enquanto muitos destes líderes fundamentalistas se candidatam ao Legislativo (formando bancadas que se notabilizam pela intolerância e ignorância, mas também pelas faltas às sessões, ineficiência e problemas com a justiça), outros candidatos e candidatas flertam com eles na esperança de ganhar os votos de seus rebanhos e o dinheiro que adquirem com a exploração comercial da fé.

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Foto: Viviane Carvalho – Assessoria de Imprensa da Arquidioce

Lamento profundamente que os principais candidatos à Presidência da República e aos governos dos estados não estejam rechaçando, de maneira clara e efetiva, o fundamentalismo cristão e seu estímulo à intolerância e à violência contra minorias sexuais e religiosas, mas, antes, estejam cortejando esses inimigos da democracia em troca de dinheiro para suas campanhas e dos votos de seus rebanhos.

Conclamo os cristãos não-fundamentalistas, católicos e evangélicos, a reagirem ao fundamentalismo; a virem a público deixar claro que esses líderes fundamentalistas não lhes representam; e a se unirem aos adeptos de religiões minoritárias e ateus na defesa da laicidade do Estado; da diversidade cultural e da cultura de respeito aos diferentes.

 

 

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