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terça-feira, 15 de outubro de 2013 Crítica, LGBTs | 16:08

Há gays e lésbicas entre os professores. Apoiamos a greve!

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Foto: Clarissa Thomé/Estadão

Neste último domingo, 13, em Copacabana, aconteceu a 18ª Parada LGBT do Rio de Janeiro e eu marchei no chão, em conjunto com diversos grupos independentes que se organizam em diversas lutas a favor da cidadania. Declinei o convite da organização da Parada para desfilar em um dos trios, pois vi uma oportunidade de concretizar, ali naquele momento, essa proposta, que apresentei, em Junho, à organização da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Fiz isso porque acredito ser importante politizar a Parada, que não pode ficar alheia a outras lutas contra a opressão, a discriminação e a injustiça social.

Uma das questões que introduzimos para ampliar a pauta da Parada foi o apoio à luta dos e das profissionais de educação. Em especial no Rio de Janeiro, há duas décadas não há tamanha mobilização destes profissionais insatisfeitos com as políticas educacionais dos governos estadual e municipal que vêm ignorando as reivindicações por melhores salários, um plano de carreira que contemple a categoria, estrutura física, materiais didáticos de qualidade dentre outros pontos de uma extensa pauta.

Na Parada LGBT do Rio, marchei com um cartaz que dizia “Há gays e lésbicas entre os professores. Apoiamos a greve!”; e, por causa disso, nas minhas redes sociais, alguns usuários me questionaram se meu apoio à luta dos professores estaria condicionado ao fato de haver professores LGBTs. Ora, será que não ficou claro – a partir da foto publicada – que as frases do cartaz com que marchei (que foram escritas em tintas diferentes não por acaso) são independentes e buscam apenas relacionar uma manifestação (a Parada do Orgulho LGBT) com outra (a greve dos professores), num esforço de solidariedade entre os dois movimentos? Será que não está claro que precisamos de mais solidariedade entre as causas e as pessoas?

Os “questionadores” e seus comentários – alguns feitos por ignorância e outros por má-fé mesmo – infelizmente comprovam a urgência de se investir em uma educação de qualidade que forme nossos alunos com habilidades e competências necessárias, que vão da interpretação de texto à solidariedade, passando pela ampliação do repertório cultural.

Nossas escolas são resistentes em debater a educação sexual, tornando-se um espaço de sofrimentos tanto para alunos e alunas LGBT quanto para os docentes, que, por receio de terem suas carreiras prejudicadas, quase sempre se silenciam sobre a delícia e a dor de sermos o que somos. Assim, uma educação inclusiva e para a diversidade deve possibilitar que todos os indivíduos que integram o ambiente escolar convivam em harmonia e respeito – e isso vale não apenas para os alunos e alunas, mas também para os docentes e os demais profissionais de educação.

O governo federal e os governos estaduais e municipais precisam investir imediatamente para melhorar a qualidade da educação pública, começando pelo salário dos professores, que, em muitos casos é vergonhoso de fato. Mas, neste dia dos professores, gostaria de lembrá-los de que a tarefa de capacitar nossos alunos e alunas com habilidades e competências como o domínio da escrita com coesão e coerência; de formar cidadãos humanistas, reconhecedores da diversidade cultural, respeitosos da diferença e conscientes dos direitos que lhe cabem, é nossa, professores e professoras, sejam vocês LGBTs ou não!

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4 comentários | Comentar

  1. 54 Assis Moreira Silva Junior 18/01/2014 22:56

    Caro Jean Wyllys, estou contigo quando defendes uma educação inclusiva e para a diversidade. Isto foi, aliás, o que defendi na minha dissertação de mestrado apresentada no ano passado. É através da educação, que começa na mais tenra idade, que teremos um país que respeita as suas diversidades, inclusive a sexual. Um forte abraço!

  2. 53 nildo 11/11/2013 21:39

    cuidado com o bicho papão FELICIANO

  3. 52 danjor 05/11/2013 22:11

    parabens jean wylis,q Deus possa estar com vc sempre e admiro o muito por fazer parte da comissao direitos das minorias e como deve ser dificil conviver com aquele feliciano incubado mas como dizem os psicologos `quem e contra demais com algo e pq no fundo querem fazer aquilo q condenan´

  4. 51 Gustavo 15/10/2013 19:23

    Educação

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