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quarta-feira, 21 de agosto de 2013 direitos humanos, LGBTs | 17:10

Bradley Manning é um herói. E se fosse Breanna?

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Bradley Manning foi condenado hoje a 35 anos de prisão por vazar, em 2010, milhares de documentos diplomáticos dos Estados Unidos ao site Wikileaks, revelando imagens chocantes e informações que levaram autoridades à fúria. Sua condenação está gerando imensa comoção mundial e uma grande mobilização nas redes sociais, inclusive uma campanha na internet liderada por um grupo de artistas, jornalistas e ativistas do cacife do diretor de cinema Oliver Stone, da atriz Maggie Gyllenhaal  e do músico Moby, que afirmam já ter reunido mais de 61 mil assinaturas para candidatar o nome do militar ao Prêmio Nobel da Paz.

Neste mesmo rastro, ressurgem informações que Bradley, na verdade, pode ser Breanna.

A revista Samuel trouxe, hoje, um excelente artigo a respeito de toda a discussão em torno da identidade de gênero de Bradley. Levanta, inclusive, a pertinente questão: E se Bradley for, de fato, Breanna, nome pelo qual seu alter ego foi inicialmente conhecido (Bradley, finalmente, optou pelo nome Chelsea, como foi veiculado na matéria), terá o mesmo apoio popular? E teria esta identidade influenciado as péssimas condições às quais foi submetido na cadeia?

Estes fatos nos relembram o preconceito, a violência e a invisibilidade enfrentada diária e cotidianamente por todas as pessoas trans.

Incompreendidos pela sociedade em geral – que, em grande parte sequer sabe o que significa o termo transexual ou, menos ainda, que eles e elas existem – os e as transexuais e travestis não têm como se esconder em armários a partir de certa idade (ao contrário de lésbicas e gays que, se não tiverem coragem de brigar por um lugar digno no mundo sendo quem são de verdade, podem morrer neles). Por isso, na maioria dos casos, mulheres e homens trans são expulsos de casa, da escola, da família, do bairro, até da cidade. A visibilidade é obrigatória para aquele cuja identidade sexual está inscrita no corpo como um estigma que não se pode ocultar sob qualquer disfarce. E o preconceito e a violência que sofrem é muito maior.

Boa parte da sociedade, que em grande parte não consegue sequer distinguir a diferença entre identidade de gênero, sexo e orientação sexual, acredita que pessoas trans são destinadas a ficar à margem de tudo. A violência que essa crença gera faz com que muitos e muitas abandonem a escola pelo bullying e fiquem restritos a guetos.

A invisibilidade legal, que obriga pessoas trans a não ter sua identidade de gênero reconhecida, ou, quando permite, torna tão difícil o processo legal que o torna análogo à impossibilidade, também é uma violência pela qual esse segmento da população sofre. Para driblar uma lei que lhe negava o direito a ser ele mesmo, João W Nery, a quem homenageio, em nome de toda a comunidade trans, com meu projeto de lei 5002/2013 de identidade de gênero, por exemplo, teve que renunciar a toda sua história, seus estudos, seus diplomas, seu currículo. Foi só dessa maneira, com documentos falsos, analfabeto nos registros, mesmo sendo professor universitário, que ele conseguiu ser, finalmente, João em seus documentos, como relatado em seu livro, “Viagem solitária”.

Em diversas partes do mundo a discussão a respeito do reconhecimento da identidade de gênero está avançada ou devidamente regulamentada, inclusive em nossa vizinha, Argentina. E no Brasil? Até quando o Estado vai acreditar que tem a autoridade de determinar os limites exatos entre a masculinidade e a feminidade e os critérios para decidir quem fica de um lado e quem do outro?

Está na hora de discutir, abertamente, a omissão que nega direitos a pessoas trans e os submetem a tratamentos desumanos.

Aqui no Brasil e lá nos EUA.

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12 comentários | Comentar

  1. 62 Julia Domingues 17/09/2013 8:55

    Caros leitores…sou trans e vivi e vivo remando contra esta maré de preconceito e posso dizer que estou vencendo esta batalha, devemos parar de ficar se escondendo atrás de ruas escuras e salões de cabeleireiros não desmerecendo ninguém, atualmente sou representante comercial e uma grande empresa de São Paulo e em todas minhas experiências profissionais sempre trabalhei com o publico, hoje estou realizada com minhas conquistas e sei que posso muito mais, chega de se esconder pois para vencermos o preconceito temos que vencer o preconceito que existe dentro de nós!

  2. Jean Wyllys 09/09/2013 11:49

    Paola, o projeto de lei de identidade de gênero apresentado pelo Jean permite a retificação completa dos registros: http://jeanwyllys.com.br/wp/projetos-de-lei (Kleber/ASCOM)

  3. 61 Paola 08/09/2013 19:16

    Como Jah havia pedido em outro post, queria aqui pedir encarecidamente que se o senhor deputado, tendo conhecimento da lei, postase algo a respeito de alguma lei que assegure apos a troca de nome a retomado de documentos como diploma profissional que lutamos tanto para ter e perder tal documento é injusto ou por favor sabendo do sofrimento de nós trans seja MtF ou FtM nos ajude a conseguir que a lei assegure isso, Jah evoluímos tanto, nós trans Jah podemos trocar os nomes e sexo no registro civil, nós trans, gays, lésbicas e travestis temos que lutar juntos por um país mais igualitário eu como cidadã de apenas 18 anos sei que estou bem representada e espero poder terminar minha faculdade e ser uma engenheira, podendo usufruir do meu diploma mas constando Paola e não meu nome civil masculino. Continui assim deputado, como outros deputados se manifestaram dizendo que futuramente evangélicos serão maioria no plenário e assim poderão recolocar curas gays, entre outras coisas que nus fazem regredir inves de avançar, espero que mais e mais representantes “gltt” estejam representando não só a nós “gltt” no plenário mas a toda essa população de forma justa e igualitária.
    Obg pelo espaço aqui aberto

  4. 60 Cristiane 25/08/2013 14:45

    Excelento projeto de lei. Parabéns!!! Estou lendo o livro do João Neri, e fiquei chocada ao saber que ele teve que abdicar de todos seus títulos para poder usar um nome masculino. Um absurdo!

  5. 59 Paulo 22/08/2013 10:46

    Fui contemporâneo do Jean e mesmo não tendo aproximação no passado, tenho a grata satisfação do reencontro mesmo estando longe agora.
    Tenho acompanhado esta sua trajetório que comçou a muito lá em nossa cidade.
    Parabens a todos nós brasileiros de coragem e seres pensantes. Isso nos faz seguir em frente..

  6. 58 Tania 22/08/2013 8:49

    Como mãe me doi saber que um ser humano é julgado por sua masculinidade ou feminilidade e não por seu caráter e honra coisas que estão escassas neste país. Temos que aprender a
    respeitar as pessoas individualmente, ai conseguiremos mudar e melhorar muito outras coisas neste país. Obrigado por sua sabedoria.

  7. 57 orlando 22/08/2013 7:56

    O Deputado Jean tem de ser respeitado por sua luta.Mas no Brasil fariseus estão desmoralizando o cristianismo.

  8. 56 gero 22/08/2013 7:52

    cara to vez que leio matérias e comentários de Jean wyllys, sinto que derrubaram a Dilma e deram o poder legislativo a Mahmoud
    Ahmadinejad.

  9. 55 Josiane Santos 22/08/2013 0:56

    Deputado, parabéns pelo texto. E também pela paciência para aturar imbecis homofóbicos e sem informação como esse tal de Fernando abaixo. É incrível como um idiota desses não diz aos deputados ruralistas nem aos fundamentalistas evangélicos que trabalhem “para o país” ou que “criem alguma coisa que preste”. Cretinos como esse só páram para encher seu saco porque seu trabalho maravilhoso os incomoda. E continue incomodando deputado. Sou hetero e me sinto representada pelo senhor, que faz um mandato para todos os brasileiros. E o senhor nem tinha essa obrigação. Se trabalhasse só para a comunidade LGBT já estava bom demais, pois a bancada evangélica só trabalha para si. Mas o senhor é íntegro e generoso; e por isso trabalha para todos, mesmo que imbecis como Fernando e outros que já apareceram e aparecerão nos comentários de seus textos digam que não. Boa sorte.

  10. 54 Jonathan 'Hamelin' Malavolta 21/08/2013 23:51

    Fernando, retrógrado é esse seu preconceito medievo. Retrógrado e ojerizante. Se a população LGBT não tiver o apoio do Estado, das leis, como irá vencer o preconceito que quando não lhe causa o homicídio direto e a sangue frio, lhe causa o homicídio indireto, através da indução ao suicídio, fazendo tal população crer que seja inferior a mim, a você ou a qualquer outro?

  11. 53 olga 21/08/2013 23:46

    Cada vez que leio seus artigos mais eu aprendo e a medida que os leio com o coração limpo e a mente aberta, mais saio da minha ignorância, mais compreendo o mundo e mais amo você. Tenho dois filhos e cinco netos e é com eles que gosto de debater seus textos. Parabéns pelo brilhante raciocínio, pelo jovem inteligente que és. Sou sua fanzoca….

  12. 52 Fernando 21/08/2013 21:54

    Deputado suas ideias sao ultrapassadas e caoticas com essa bandeira de luta gay, chega cara trabalhe para o pais de crie alguma coisa que preste

  13. 51 jander 21/08/2013 21:24

    Fiquei impressionado com a matéria, pelo tanto de comentário..

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