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segunda-feira, 10 de junho de 2013 LGBTs | 18:07

EM NOME DO PAI – Pra não dizer que não falei de Félix

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Sem entrar na questão de se estamos preparados ou não para um vilão gay na novela das nove, o horário de maior audiência da tevê aberta brasileira (levando-se em conta não só o fato de que a maioria do povo brasileiro se informa por meio da tevê; a ainda baixa qualidade da educação formal oferecida pela ampla maioria das escolas públicas; o baixo índice de leitura de livros, mas sobretudo se levando em conta o atual contexto político, marcado pela emergência de um fundamentalismo religioso odioso que se expressa e cresce sobretudo na difamação da comunidade LGBT); sem entrar nessa questão, posso afirmar que Walcyr Carrasco teve uma idéia interessante ou, no mínimo, produtiva para sua nova novela, “Amor à vida”: fazer do grande vilão da trama alguém cuja vilania advém da repressão ou recalque da homossexualidade.

Félix seria então uma denúncia dos impactos nocivos do recalque da homossexualidade ou internalização da homofobia sobre o caráter de gays e lésbicas: estes experimentam inicialmente, desde a mais tenra infância, o sentimento de pertencer a outra raça; com raras exceções, são vistos pelos próprios pais, quase sempre violentamente hostis à orientação sexual ou identidade de gênero que se expressa apesar de toda repressão, como condenados a uma sexualidade vergonhosa e incapazes de lhes gerar uma descendência; por conta disso, para não decepcionarem esses pais e estarem à altura das suas (dos pais) expectativas, muitos são os que desenvolvem um ódio de si mesmo (e, logo, do semelhante; ou seja, internalizam a homofobia), buscando no suicídio ou no fingimento a saída para seu sofrimento, podendo o fingimento incluir a busca pela realização do desejo homossexual no sexo anônimo em banheiros públicos, saunas e parques; realização do desejo sempre seguida de culpa e de mais ódio de si, claro. Félix seria alguém que teria optado por essa segunda saída. Todo seu fingimento – e por conseguinte todo seu mau caráter – é em nome do pai que sempre o rejeitou e reprimiu por causa da homossexualidade. Félix seria um perverso em função da “lei do pai”; teria uma perversão por conta desta; seria uma “père-version” (versão outra do pai), para usar a expressão lacaniana. Não por acaso Walcyr Carrasco havia escolhido, como primeiro título de sua novela, a expressão “Em nome do pai”.

Mas não é esse Félix que estamos vendo na tela ou, pelo menos, estamos vendo apenas parte desse Félix prometido. Este jamais poderia ser tão afeminado ou dar tanta pinta.

Um perverso em decorrência da homossexualidade recalcada e conscientemente preso num armário jamais se exporia tanto quanto Félix se expõe, principalmente por meio do “humor bicha” presente em expressões como “Estou uma gelatina de exaustão”, “Minha pele borbulha com comida gordurosa”, “Eu devo ter salgado a santa ceia para merecer isso!”, “Pelas contas do rosário”, “Deu a Elza”, “Vou arrumar o topete, que ele despencou”. Essas expressões – assimiladas e reproduzidas só por quem vive a cultura gay – associadas à afeminação são bandeiras impossíveis num gay enrustido, casado com mulher, pai de um filho adolescente e herdeiro de um grande hospital de São Paulo!

E a culpa desse Félix defeituoso enquanto personagem não é de Mateus Solano, excelente ator que não precisa provar seu talento a mais ninguém. Solano lê um texto com rubrica que lhe chega às mãos. Seria estranho se Solano não colocasse alguma afetação num texto que diz “Ai, meu Deus, eu só posso ter salgado a Santa Ceia para merecer uma coisa dessas!”.

O problema é do autor da novela, que não se contentou em criar um personagem coerente, mas, antes, quis fazer, dele, um sucesso de público como o foram as vilãs Odete Roitman, Maria de Fátima, Nazaré e Carminha. Carrasco é um homem inteligente, bem-informado e conectado à internet, logo, está a par do enorme sucesso que os perfis das “bichas más” (ou das que se apresentam como “bichas más”) – Hugo Gloss, Cleycianne, Gina Indelicada, Irmã Zuleide, Xuxa Verde, Nair Belo, Katylene e Paola Poder – fazem nas redes sociais. Carrasco quis, portanto, importar, para Félix, esse mar de venenos que tanto seduz os internautas em redes – hoje elementos imprescindíveis na conquista da audiência.

Sem essa maledicência típica de alguns homossexuais (mas não de todos e nem mesmo da maioria), sobretudo típica daqueles que jogam mais aberto com certa feminilidade de estrelas do cinema e da música pop; sem essa maledicência “feminina”, como fazer, do Félix, um vilão amado? Carrasco também é um autor experiente e já declarou ser fã de telenovela antes mesmo de começar a escrever as suas; portanto, sabe que o sucesso de Odete Roitman, Maria de Fátima, Nazaré e Carminha tem a ver com a marca de gênero, ou seja, com o fato de elas serem mulheres. E nunca é demais lembrar que essas vilãs foram e são populares principalmente entre gays e mulheres heterossexuais, que constituem o núcleo duro da audiência das telenovelas. Logo, se Félix fosse um gay enrustido que insistisse numa performance de gênero masculina, seria certamente odiado, mas jamais popular.

Ao associar o “humor bicha” a um personagem gay recalcado capaz de cometer crimes hediondos em nome de sua ambição, Walcyr Carrasco esvazia a função de defesa psíquica e de resistência política que este humor tem. Como já disse, o “humor bicha” que se expressa sobretudo em frases irônicas, anedóticas e de deboche consigo e/ou com seus pares só pode ser exercitado por quem saiu do armário, voluntária ou compulsoriamente. Pois, como disse Freud do chiste, o “humor bicha” é a formação do inconsciente que mais se insere no social; logo, necessita do outro para referendá-lo (Quem está no armário se esforça para não expor sua orientação sexual ao outro ou encena a orientação sexual socialmente aceita e validada). O “humor bicha” é uma estratégia do inconsciente dos homossexuais – inconsciente quase sempre estruturado sob o insulto, a injúria e a humilhação perpetrados pela ordem heteronormativa e, portanto, homofóbica – para defender a mente e o corpo da angústia e de outros sintomas das neuroses.  O “humor bicha” atua então como álibi da verdade do sujeito homossexual que, até então (até sair do armário), não fora possível de ser dita. Este humor passa a ser também uma estratégia de resistência política: por meio dele, a comunidade LGBT (sobretudo o seguimento T dessa “sopa de letras”) debocha da ordem masculina que a oprime e dá significado positivo a palavras insultuosas e difamantes. Associar o “humor bicha” a um criminoso frio e egoísta é perder de vista sua função na luta de LGBTs por dignidade, estima e direitos. A redenção de Walcyr Carrasco nessa questão pode vir se e somente se este humor estiver presente em algum dos outros dois gays que fazem parte da trama. Do contrário, estará provado que Carrasco salgou a Santa Ceia!

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29 comentários | Comentar

  1. -121 José Tadeu Almeida Pinto 22/02/2014 21:01

    Meu caro Deputado Sr. Jean Wyllys:
    Peço-lhe desculpas, se meu comentário não foi compreendido. Reafirmo ao Sr., que absolutamente nunca tive nenhum tipo de preconceito seja lá com o que for. Tenho o maior respeito pelo homossexuais, pela comunidade LGBT, até mesmo porque tenho verdadeiros amigos de verdade e que são homossexuais. Passei minha vida toda, ligado aos movimentos sociais, brigando em prol dos excluídos, dos sem voz e sem vez e dos mais necessitados desta nação. Briguei contra a ditadura, lutei pelas “diretas já”, participei ativamente todas as lutas sociais por um Brasil mais humano, mais fraterno, mais justo e menos desigual. E me causa indignação, até hoje ver crianças morrendo por desnutrição, pessoas morrendo nos corredores dos hospitais públicos, por falta de médicos e vagas para se internarem, pessoas de todas as idades sendo mortas pela violência das grandes cidades, decorrente da falta total de uma segurança pública eficaz e justa, acho um absurdo, crianças sem nenhum acesso à uma escola pública na maioria do interior despe País. Acho eu, que o Deputado Feliciano, verdadeiro fundamentalista religioso e oportunista, deve sair o mais rápido do cargo que ocupa, representando os direitos humanos (aliás, se ele conseguiu ocupar tal cargo, considero culpa do PT), e, realmente entrar no lugar dele um Deputado sem preconceitos e que lute verdadeiramente por todos os direitos humanos. Repito, Deputado Jean, peço-lhe desculpas, mas jamais foi minha intenção ofender os homossexuais ou a comunidade LGBT. Não tenho, nunca tive e jamais terei algum tipo de preconceito contra os que lutam à favor de qualquer causa que defenda os direitos de qualquer cidadão e os direitos humanos. Sei que o Sr. é um dos mais dignos e mais atuantes Deputado Federal do nosso Congresso e tenho o maior respeito pelo Sr. Apenas uma observação: quem conhece bem minha trajetória e meus ideais há trinta anos, é o nosso caríssimo Deputado Chico Alencar, também do PSOL. Considero eu, que Chico é o melhor congressista que temos em nosso País, já há vários anos. Mais uma vez, solicito-lhe minhas desculpas, e torço para que o Sr. seja reeleito com uma votação expressiva, devido ao excelente trabalho que realiza na Câmara. Nosso Brasil precisa é de muito mais Deputados como o Sr. e meu companheiro Chico Alencar, só assim veremos as mudanças tão necessárias serem concretizadas no nosso Brasil.
    eu cordial e sincero abraço.
    Atenciosamente,
    José Tadeu Almeida Pinto.
    Em: 22/02/2014.

  2. -122 Flavio Lenz 21/11/2013 1:22

    Bravo! Bravíssimo!
    Me faz indicar coluna de Gabriela Leite sobre Nazareth e Maria do Carmo, na novela Senhora do destino. Toca na questão do estigma e da representação da prostituta, como faz Jean Wyllys com os gays- e não só, também do seu espelho. No link: http://www.beijodarua.com.br/materia.asp?edicao=19&coluna=7&num=6

  3. -123 miguel 20/11/2013 11:50

    Jean,

    O recurso de usar a figura estereotipada do homossexual, é prática muito usada não só por telenovelas, como é reforçada pelos movimentos LGBT`S. Normalmente o gay é visto como a piada ou o engraçadinho da novela, mas geralmente é apresentado como uma figura “do bem”. Inclusive como a própria rede Globo fez com o seu estereótipo no BBB que você participou, acentuando na edição as virtudes de um homossexual. O fato é que independente do fato da criação, tem pessoas de bom e mau caráter, e isso independe da opção sexual… Penso que as pessoas deveriam encarar com naturalidade a existência dos Gays na sociedade, e não como algo bom. Opção sexual, seja hétero, homo, ou sei lá o quê, não é VIRTUDE, é apenas uma opção. Um saco esse “mimimi” e essa vitimização, viu?

  4. -124 Zanatta 20/11/2013 1:40

    Ameiiii!! Sem demagogias nesse país livre de credo, raças, religiiões e etc… Sou fã de vocês!!! E viva a liberdade!! Tim-Tim!!!!!

  5. -125 zeu 19/11/2013 23:14

    Parabéns, Jean Wyllys! Vc me representa!

  6. -126 Lela 19/11/2013 23:03

    Muito bom o texto Jan, em plena Semana de Consciência Negra, precisamos no conscientizarmos de outros prejulgamentos, preconceitos, opiniões arraigadas e desapegarmos a esses “em nome do pai” que não nos evolui para seres mais humanos.

    Abraço!

  7. -127 Carlus 19/11/2013 22:15

    Parabéns Dep Jean, texto espetacular.

    Abraços…

  8. -128 Valmir 19/11/2013 21:28

    Parabens pelo Texto Jean, o problema é que apenas a parte que ja é politizada…de certa forma…o entendeu, a grande massa, aquela ainda carregada de preconceitos oriundos do status quo n entenderia, sugiro que possa ser um pouco mais claro e simples pra poder abarcar um entendimento maior da população.

  9. -129 Carlos César Costa Aragão 19/11/2013 19:14

    De certa forma, interessante o texto do Dep. Jean Wyllys, porém, faz-se necessário refletir sua verdadeira intenção que é meramente um reclame ao autor Walcyr Carrasco em tornar um personagem homossexual em vilão, transparecendo que o autor, obrigatoriamente ou de forma combinada, teria de criar um personagem homossexual anjo, santo, madre Tereza de Calcutá, perfeito. A verdade é que em todas as classes sociais, segmentos da sociedade, raça, nações, e mesmo em meio à sexualidade dos indivíduos de qualquer destes, existem bons e maus. Se um personagem homossexual de uma trama fictícia, por ser vilão, pode levar a cabo a causa LGBT, indubitavelmente, é porque ela já nasceu derrotada. Prova disso é que pessoas na qualidade de empresárias, mães de famílias, mães adotivas e outras que tiveram infância em lixões como Odete Roitman, Maria de Fátima, Nazaré e Carminha, muito bem citadas pelo Deputado, não foram e nem estão sendo vilãs por influência destas. A maioria delas, em quase sua totalidade, são do bem e não estão nem aí para a coincidência de suas vidas com tais personagens. Com certeza buscam viver e fazer o melhor; isso é o que todos devem fazer. Fica uma dica: Dizem: Seu direito começa onde o meu termina. Acrescento: A recíproca é verdadeira. Portanto, respeitemo-nos, nada de invasões.

  10. -130 Ana 19/11/2013 18:23

    Acho ótima a proposta do autor. Colocou personagens chaves na novela e criaram tramas para gerar empatia com a massa. É uma denúncia ao preconceito de uma forma tão agressiva que temos raiva dos agressores e torcemos pelos alvos, muitas vezes, de nossos preconceitos.
    Temos a denúncia contra os gays, gordos, altistas, mulheres mais velhas com caras mais novos (inverso também), amor entre idosos, etc… Simplesmente sensacional!!! Volto a dizer, a proposta dele tem um propósito maior do que simplesmente entreter, mas uma forma inteligente de colocar o telespectador no lugar do personagem.

  11. -131 Ana Emilia Leal 19/11/2013 18:09

    Adorei o artigo.
    Vc é ótimo!

  12. -132 Niva Vasques 19/11/2013 17:44

    Deputado,
    Achei seu texto e análise muito interessantes, mas é impressionante como todos nós ansiamos que as obras de ficção da televisão tratem de temas profundos e importantes de forma didática e educativa.
    Tem tudo a ver com a educação deficiente, mas tem também a ver com uma fé que nós depositamos em organizações poderosas (redes de TV) que possam disseminar/produzir um saber dito de “vanguarda” , que possa de certa forma nos salvar desse deserto do real e ensinar, sonhar ou estimular formas mais amorosas de viver.
    Só que a mídia não tem compromisso com nada disso, o que a mídia quer é vender.
    Então eu parei de ter esperança e de achar que os autores de novela devam tratar os temas que me são caros da forma como acho que deveriam tratados em profundidade, complexidade, com potencial crítico e criativo.
    Uso meu sacrossanto direito de consumidor de não comprar o produto que entender estragado e troco de canal, ou então nem vejo TV.

    o que eles devem ou não retratar, e usar o nosso sacrossanto direito do consumidor de não comprar o produto e trocar de canal.

  13. -133 Camila Conti 19/11/2013 17:01

    Ai, gente… Jean pra presidente, só isso que eu falo. Seu Lindo! =)

  14. -134 Anderson 19/11/2013 16:48

    Na Psicologia existe uma expressão interessante, “as vezes um ovo é apenas um ovo”.

  15. -135 Khan 19/11/2013 14:30

    falo sob o anonimato de um apelido, um “fake”. Esse fake é bissexual assumido e confortável com essa escolha, mas a pessoa por trás desse fake se vê presa a um núcleo familiar heteronormativo, preconceituoso e altamente reativo a qualquer indício de homossexualidade.

    Agradeço o texto e à sua posição política, é uma voz muito necessária para que nossa sociedade mude, e não apenas os gays, mas TODO o espectro de orientações e gêneros, injustiçados e excluídos da sociedade por muitos anos, possam se ver livres para ser quem são sem julgamento de uma sociedade cega para a diversidade humana.

    Continue o seu trabalho, pois é de pessoas como você que dependemos para continuar lutando.

    Enquanto isso eu vou planejando a minha saída do armário, quando estiver estabilizado, independente e não precisar pedir autorização à minha família para ser quem sou sem que seja injustamente julgado e rechaçado.

  16. -136 Guilherme 19/11/2013 13:25

    Ótimo artigo! Depois de mais de 10 anos sem ver novelas, essa eu tenho assistido um pouco. Se você abstrair completamente a verossimilhança, você se diverte assistindo. Na verdade, os textos e quase todos os personagens são completamente inverossímeis. Existem outros personagens bem mais inverossímeis do que o Félix, mas há de destacar as péssimas atuações do Antônio Fagundes e Susana Vieira, ajudados claro por textos bem surreais.

  17. -137 Luiz Carlos Lacerda 19/11/2013 12:27

    Bom saber que há pessoas atentas e sempre dispostas a fazer uma análise esclarecedora sobre esses personagens aparentemente libertários.O outro (ex) casal gay da novela tb apresenta um personagem idiotizado pelo amor rejeitado e o outro uma submissão à serviço da inserção no mundo hetero.Esse Carrasco não tem nada de Walcyr !
    Parabéns, Jean !

  18. -138 Wilma Leal de Lyra 19/11/2013 12:26

    Deputado Jean Willis: que você fala e escreve muito bem, é inegável. Gostaria,. no entanto, de perguntar-lhe por quê você não sobre à tribuna da Câmara do Deputados e exerce esse dom para as suas denúncias alcançarem maior público??? Bem imagino a razão, mas é preciso que o POVO a conheça. Olhe, apesar de ter o seu cartão que me foi dado por você mesmo, há muito tempo, ainda não consegui falar-lhe o seguinte: tenho conhecimento de uma tragédia que vai aqui expressa em dois casos. Um foi o suicídio de um gay que se atirou do alto de uma torre em Porto Velho-RO e que ficou insepulto por uns dois meses, porque nem a igreja evangélica à qual pertencia( não sei à qual,-se soubesse falaria), foi resgatá-lo, nem a família, por certo da mesma religião, o reclamou…Além disso, como não estava com os documentos o IML da cidade, não permitiu que fosse sepultado, só bem depois.; O outro caso, foi o de um moço do nordeste que foi barbaramente espancado e morto, por um grupo de homofóbicos que o trucidou a pauladas. Essas cenas se repetem diariamente, assim como a violência contra as mulheres e os negros e eu ainda não vi, UM só pronunciamento FORTE contra isso. Acho que está passando da hora de você arranjar um jeito de denunciar esses fatos… Sei que o Henrique Alves, Presidente da Câmara e o Renan Calheiros, do Senado, estão pouco se lixando com esses temas. O negócio deles é outro bem diferente, mas eles que aguardem que logo as suas vidas serão estampadas na internet e os dois estão na mira… Agora, eu penso ,deputado, que o número de Gays nas Paradas, bem poderia ser instado a formar um grupo político como houve o SOMOS, que fez um trabalho sério, tempos atrás. Quantos Gays com a sua categoria, poderiam entrar para a política, único campo de força… O mesmo se diga das mulheres e dos negros (esses com pouquíssima força) mas se se unissem cada qual no seu território, o que daria um revertério e tiraria muito cabra safado da política, para formarem a própria bancada, hein??? Fica registrada e minha indignação. Obrigada

  19. -139 josé contino lisboa 19/11/2013 11:51

    Muito bom. Eu já tinha intuído essa dicotomia de Felix. A criatura de Carrasco não é politicamente correta, embora simpática. Ela zomba dos gays e os aproxima de mal feitos. Entretanto, a análise freudiana o redime. Felix é, portanto, um personagem tragicômico que faz pensar sobre as dificuldades que enfrentam os que tem o destino de ser diferentes.

  20. -140 João Magalhães 19/11/2013 11:17

    Muito coerente o texto, fica claro a mistura de elementos que se confundem no centexto de apresentar um personagem gay assumido ou enrrustido, nessa questão de comportamento. Eu particulamente prefiro olhar a sexualidade do vilão apenas como plano de fundo da história, mas é inevitavel perceber que ela muito interfere na composição da história como um todo, uma vez que o publico brasileiro talvez não esteja ainda educado suficientemente para receber uma suas casas um personagem gay, sem remeter-se a sua sexualidade dentro do curso da história da novela.

  21. -141 Issa Khalil 19/11/2013 11:00

    Definiu Viver a Vida. Definiu a função do homo-afetivo ante a conduta hétero-normativa.
    Só posso comentar para este texto: to boba!

  22. -142 Malu 19/11/2013 10:56

    Que texto bom, bem escrito, rico, claro. Como é bom ler um jornalista que sabe escrever

  23. -143 Malu 19/11/2013 10:52

    Que texto bom, bem escrito, rico, claro. Como é bom ler um jornalista que sabe escrever.

  24. -144 Vítor 19/11/2013 10:46

    O mais interessante é observar como a identidade de gênero se constrói socialmente. E como produto de circunstâncias, ambiente e experiências sociais, a sexualidade não se dá numa forma abstrata e única, mas entrelaçada por outras faces da personalidade. Walcyr Carrasco mostra bem isso, põe fim ao estereótipo do que se entende por gay no senso comum para mostrar que a orientação sexual não faz de ninguém um alienígena. Mostra que um gay pode ser bom ou mal caráter como qualquer pessoa.

    Agora, o autor da novela não é um militante do movimento LBGT, ele é um autor de novelas e o seu apelo artístico e literário não deve ser compreendido como prejudicial à luta por dignidade. De modo nenhum!

    Aliás, corre-se o risco de se cair numa “neura” militante que racionaliza tudo e que toma sempre a homofobia como perspectiva de análise das questões sociais…

  25. -145 Karem Moraes 19/11/2013 10:08

    Texto sensacional, Jean Wyllys! Também, não poderia ser diferente, vindo de alguém tão coerente como você. Nunca havia percebido o personagem sob essa ótica. Parabéns.

  26. -146 oswaldo 19/11/2013 9:38

    Querido Jean,
    O Félix é apenas um personagem…

  27. -147 alan marques 19/11/2013 9:26

    Jean, texto perfeito, análise clara, consistente, acessível . parabéns.

  28. -148 Francisco Jacinto Araujo da Silva 19/11/2013 9:01

    Jean Wyllis você é um grande parlamentar espero que você continue assim,meu nome é Jacinto e sou militante da causa da pessoa com deficiência e ainda não vejo discutindo dentro dos conselhos a causa da pessoa com deficiência enquanto LGBT! O que você pensa sobre isso?

  29. -149 Goretti Vermelha Bussolo 19/11/2013 1:10

    Fantastico este texto e concordo totalmente com o ponto de vista!

    Comentei algo similar hj ao assistir a cena deprimente de um pai que fez questão em destruir o filho…que já tinha feito o mesmo com o pai que nunca o aceitou!
    Penso que o Fèlix é um prato cheio para a psicanalise sim…tem motivos para ser de carater duvidos…claro que nao justifica…nem todos que sofrem se transformam em Félix da vida…mas com uma familia desajustada como é a que ele teve…resultou nessa confusão de sentimentos e atitudes condenaveis…mas podemos condenar???

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